Para evitar o papelãoIndiciado pela Polícia Federal, o funcionário que vazou o dossiê com as despesas do ex-presidente Fernando Henrique e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso vai depor hoje na CPI dos Cartões Corporativos. Como já está indiciado, José Aparecido obteve do STF salvo-conduto para permanecer calado, mentir... e não ser preso. Isso porque a Constituição dá a qualquer cidadão o direito de não produzir provas contra si próprio. Isto significa que o depoimento de José Aparecido será inteiramente inútil? Não necessariamente. O roteiro de hoje deve ser mais ou menos o seguinte: primeiro, depõe o assessor do senador Álvaro Dias, André Fernandes, que recebeu o dossiê enviado por José Aparecido. André Fernandes é funcionário concursado do Senado, experiente em assessorar CPIs, assessor legislativo com mestrado em economia. Não se trata, portanto, de um mero cabo eleitoral pendurado em gabinete, como centenas de outros que pululam no Congresso Nacional. Pelo que se sabe, André vai relatar os encontros com José Aparecido e as histórias que este contava sobre quem mandou e quem elaborou o dossiê. Depois depõe José Aparecido. A versão apresentada à PF é de “distração”: José Aparecido se enganou e anexou ao e-mail para André Fernandes um arquivo, e não outro arquivo. Mera distração. (Como é distraída essa gente do governo, meu Deus! A ex-ministra distraiu-se e pagou despesas pessoais com cartão corporativo. O ministro do Esporte distraiu-se e confundiu os cartões, muito parecidos, segundo ele, e também pagou despesas pessoais com cartão corporativo. A distração é sempre contra o dinheiro público. Ninguém se distrai pagando despesas públicas com o cartão pessoal, é sempre o contrário.) O entendimento dos membros da CPI é o de que, se houver contradições fortes entre um depoimento e outro, é possível tentar uma acareação. Para isso, é preciso aprovar um requerimento. Esperam-se grandes revelações no dia de hoje? Dificilmente. Sempre é possível alguém cair em contradição, em esquecimento, em “distração”. Mas o que se espera é que a base governista atue com moderação, sem estrelismos nem rolo compressor. Da oposição, espera-se que tenha feito o dever de casa, para não pagar novamente aquele mico constrangedor que pagou no dia do depoimento da ministra Dilma Roussef na Comissão de Infra-estrutura do Senado. Em suma, do governo e da oposição espera-se que evitem o papelão. O distinto público agradece.
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Minc empareda o presidenteNunca antes na história deste país se viu coisa igual: ministro convidado, mas não empossado, impõe publicamente condições para aceitar o convite, antes mesmo de se encontrar pessoalmente com o presidente. Desde que foi convidado para assumir a pasta do Meio Ambiente, o secretário Carlos Minc ocupou todo o espaço do noticiário político. Não tem para ninguém. Só dá primeira página. Minc deu uma entrevista meio desaforada em Paris, praticamente desafiando o presidente Lula a desconvidá-lo. Mas como não tem nada de maluco, o que Carlos Minc tem feito é tentar neutralizar o noticiário a seu respeito: que seria um anti-Marina Silva, que não colocaria obstáculos à ação da bancada da motosserra. Midiático, frasista, verborrágico. Tudo isto é verdade. Assim é Carlos Minc. Mas o futuro(?) ministro tem apresentado posições cuja discussão pode ser bastante estimulante. Um exemplo: montanhas de burocracia não significam necessariamente rigor no licenciamento ambiental. Muitas vezes é incompetência mesmo. Ou a porta para a corrupção. Outro: Forças Armadas patrulhando a Amazônia. Por que não? O argumento de que é inconstitucional é perfeitamente ridículo. Vamos combinar: reforma-se a Constituição para qualquer coisa. Uso de Medidas Provisórias, criação e derrubada de CPMF, adoção da reeleição, e por aí vai. Proteger a Amazônia é assunto de segurança nacional. Aliás, planetária. Isto é trabalho para Forças Armadas do século XXI, num país democrático. Polícia ambiental, por que não? Ou vamos manter as Forças Armadas se preparando para uma nova guerra com o Paraguai?! Enfim, uma coisa não se pode negar: Carlos Minc já é credor da gratidão do Planalto, porque chutou o escândalo do dossiê para segundo plano. Só por isso já merece tapete vermelho do Palácio do Planalto.
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Porque hoje é sábadoEsta semana, o mundo registrou os dez anos da morte do maior cantor de todos os tempos. Gerações e gerações amaram, sofreram, riram, namoraram e se divertiram ao som de Frank Sinatra. E mais gerações ainda vão fazer a mesma coisa, graças à tecnologia. Nunca houve nem jamais haverá um cantor como Sinatra. E mais: dez anos depois de sua morte, ele está cantando cada vez melhor. Aproveitem o fim de semana, coloquem Sinatra na vitrola, e som na caixa! Vão namorar bastante, porque a vida é muito curta. Bom fim de semana!
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Novidades no Meio AmbienteA bancada da motosserra ficou assanhadíssima com a demissão de Marina Silva. E continuou assanhada, ao ser informada de que o novo ministro, Carlos Minc, foi convidado pelo presidente Lula porque é rápido na obtenção de licenças ambientais. Só mesmo quem não conhece Carlos Minc. Nós, cariocas, que convivemos com ele há quase 30 anos, desde que voltou do exílio, sabemos que a realidade não é exatamente assim. Minc gosta da mídia, gosta de holofotes. E não esconde isso. Mas também é sério, ambientalista respeitado. Sem papas na língua. Em sua primeira entrevista, antes mesmo de ser confirmado no Ministério do Meio Ambiente, antes até de uma conversa frente a frente com o presidente Lula, Minc mandou vários recados. Ao presidente, aos ambientalistas e à bancada da motosserra, defensora do desenvolvimento a qualquer custo. Para aqueles que estavam esperando um anti-Marina Silva, a entrevista foi uma decepção. Minc atacou firmemente o excesso de burocracia do Ibama (“a burocracia é a mãe da corrupção”, disse ele. E está certíssimo.), mas declarou que não vai servir de “biombo verde” para devastadores de florestas. (Está certíssimo também.) E disse mais: considera um absurdo o lançamento de uma política industrial sem que fossem contemplados temas ligados ao meio-ambiente. (Desde que foi lançada a política industrial, semana passada, venho dizendo onde posso que se trata de um comportamento obsoleto, digno do século passado. Não é à toa que o presidente elogiou o Programa de Metas de JK, excelente, mas para um Brasil de 50 anos atrás! Tenho para mim que a gota d’água para a saída da ministra Marina Silva foi, justamente, o lançamento da política industrial sem incluir questões ambientais. Coisa de século passado.) Para aqueles que conhecem Carlos Minc, a entrevista foi apenas a confirmação do que se sabe dele e de sua trajetória. Minc fixou publicamente os limites para assumir o cargo, apresentou várias condições e devolveu a bola para o pé do presidente Lula. Finalmente, a entrevista de Carlos Minc deve ter sido uma grata surpresa para os que não o conheciam, mas entendem que as questões ambientais são estratégicas para o desenvolvimento brasileiro e não apenas capricho que gente que conversa com samambaia.
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Novidades no PlanaltoA saída de Marina Silva e a nomeação de Carlos Minc revelam uma mudança de padrão no Planalto. Marina Silva estava isolada há algum tempo. Desrespeitada em público pelo presidente, ultrapassada por outros ministros (e ministras), derrotada em praticamente todas as batalhas em que se envolveu, Marina decidiu sair. Por que foi diferente das outras demissões? Porque Marina não estava envolvida em nenhum escândalo de corrupção nem de formação de quadrilha, não decidiu voltar à iniciativa privada, não decidiu disputar eleições. Apenas não queria mais permanecer como uma jóia cara, brilhante e inútil na coleção do presidente Lula. Diferente, porque Marina não saiu alegando motivos particulares. Ao contrário, enumerou em sua carta de demissão todas as razões de seu desconforto no governo. Diferente porque Marina decidiu não atender a apelos para que permanecesse no cargo até que o presidente escolhesse um sucessor. Sabe que o presidente Lula é ruim de demitir e ruim de nomear. Interinos têm-se eternizado em várias pastas. Marina decidiu sair sem consultar o presidente. Mas Lula também foi diferente desta vez. Acostumado à bajulação, a auxiliares que preferem ser desrespeitados em público a se afastar do círculo de um presidente no auge da popularidade, Lula foi realmente apanhado de surpresa. E reagiu com o fígado. Não esperou, não ouviu ninguém, não hesitou. Carlos Minc é rápido no gatilho para obter licenças ambientais? Pois será ele o novo ministro. O fundamental era não deixar o cargo vago, porque a repercussão internacional à saída de Marina Silva foi a pior possível. E o presidente Lula, por seu temperamento e por sua obsessão com o sonho do Brasil Grande Potência, é um presidente particularmente sensível ao que dizem do Brasil e de seu governo lá fora. Assim, contrariando sua tendência à indecisão para nomear e a promover interinos, só para não ter que decidir, Lula escolheu o secretário de Meio-Ambiente do Rio, Carlos Minc. Voltou atrás, convidou Jorge Vianna, que recusou – outra novidade, alguém recusando um convite de Lula para ser ministro –, e decidiu-se finalmente por Carlos Minc. Indiscutivelmente, tanto da parte da ministra que sai, quanto da parte do presidente que decide rapidamente, foi uma novidade.
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Uma medalhinha a menosPuxando pela memória, acho que os dois únicos ministros que estão (estavam) no governo Lula desde o primeiro dia do primeiro mandato são (eram) Marina Silva e Gilberto Gil. O ministério do presidente Lula não é apenas caudaloso, mas também de alta rotatividade. Até agora, os motivos principais para demissão foram: grosso escândalo ou desincompatibilização para disputar eleições. Mas Gilberto Gil e Marina Silva são dois exemplos diferentes: prestígio internacional, conduta irrepreensível, zero escândalo, nenhuma notícia de envolvimento em grossa roubalheira. Até hoje o presidente Lula usou Marina Silva e Gilberto Gil como dois broches, duas medalhas preciosas e vistosas, para impressionar a opinião pública internacional. Só isso. Porque eram também os ministros de menor orçamento e menor poder. Muito prestígio. E só. Com a demissão de Marina Silva, cai a primeira medalhinha. Num país em que só se pede demissão debaixo do risco de ir para a cadeia (com as honrosas exceções de praxe), o ato de Marina Silva é raro. Não devia ser, mas é. Infelizmente, dignidade é um ativo escasso na política brasileira. atualização às 05:40h de 14.05: Celso Amorim (Relações Exteriores) também está no governo deste o primeiro dia do primeiro mandato.
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O PT e seu umbigoO governador Aécio Neves e o prefeito Fernando Pimentel não desistem. Tentam de tudo para salvar a aliança entre PT e PSDB para disputar a prefeitura de Belo Horizonte. Aliança que envolve outro partido – e outra personalidade importante: o PSB do deputado Ciro Gomes, que indicaria o candidato. É Márcio Lacerda, secretário de Aécio e aliado de Ciro. Mas a aliança esbarrou na Executiva Nacional do PT. Controlada pelo diretório paulista com mão de ferro, a Executiva proibiu a aliança, batendo pesadamente no governador Aécio Neves. Por isso, muita gente pensou que o PT estava mirando em 2010, tentando conter a movimentação de Aécio. Para completar, a disputa pela prefeitura de São Paulo ganhou novos contornos, com a aliança entre PMDB e DEM para apoiar a reeleição do atual prefeito. Aliança costurada discreta e vitoriosamente pelo governador José Serra, que isolou o ex-governador Geraldo Alckmin, aliado de Aécio. Assim, as ações de Serra e do PT paulista teriam convergido na mesma direção: “cortar as asinhas” do governador mineiro. Mas, como vimos no início, Aécio e Fernando Pimentel não desistiram. Enquanto o prefeito iniciou contatos com lideranças petistas em outros estados, Aécio deve encontrar-se com o presidente Lula. Tudo para neutralizar o veto paulista. E com boas chances de sucesso. Na verdade, o que parece fazer mais sentido é que o PT paulista está mirando, sim, em 2010, mas não na eleição presidencial. Como todo mundo sabe, o PT preocupa-se antes com o próprio umbigo e, muito depois, com o umbigo alheio. Muito mais do que estragar as articulações do governador Aécio Neves, o que o PT paulista quer impedir é o crescimento de uma liderança petista fora de São Paulo, ou fora da órbita de influência dos paulistas. Como todo mundo também sabe, o PT paulista foi mortalmente ferido com o mensalão. E depois com o episódio do dossiê contra José Serra. Perdeu alguns possíveis candidatos à sucessão do presidente Lula. José Dirceu foi cassado e hoje enfrenta a acusação de ser chefe de quadrilha. Antonio Palocci caiu e está sendo acusado de vários crimes, principalmente um crime inadmissível num Estado democrático: como agente público, usou a mão pesada do Estado para intimidar um cidadão indefeso, violando seu sigilo bancário. Em suma, não há grandes estrelas no PT paulista. Mesmo o presidente do partido, Ricardo Berzoini, que ficou conhecido como o “exterminador de velhinhos”, quando era ministro da Previdência, foi envolvido no episódio dos “aloprados” e o dossiê contra Serra. Escândalo que também chamuscou o senador Aloísio Mercadante, cujo principal assessor era também o principal envolvido no caso do dossiê. Resta, assim, ao PT paulista controlar o aparelho partidário e impedir o florescimento de lideranças independentes e de fora do estado, como parece ser o prefeito de Belo Horizonte. (Dilma Roussef e Patrus Ananias não valem, porque estão sob o controle e a “proteção” do PT paulista.) Em Belo Horizonte, até os postes da avenida Afonso Pena já sabem que Fernando Pimentel será o candidato à sucessão de Aécio Neves. E hoje em dia, ninguém se elege nem síndico de edifício sem o apoio do governador. (É assustadora a muralha de apoio que se ergueu em torno de Aécio Neves em todo o estado de Minas Gerais.) Tudo considerado, o veto à aliança em Belo Horizonte tem muito mais a ver com a eterna luta interna do PT do que com a sucessão presidencial de 2010. Como já marcou sua posição, a direção paulista do PT pode recuar, depois de um "puxão de orelhas" do presidente Lula.
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Por dentro do blogPeço desculpas a todos, mas estou com problemas técnicos na área de trabalho do blog. Volto assim que o problema for sanado.
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Porque hoje é sábadoLarguem o computador. Vão ao cinema, vão passear, namorar, brincar com filhos e netos. Quem ainda tem mãe, aproveite. E tenham todos e todas um excelente Dia das Mães!
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O sonho de LulaEdição de hoje do jornal Valor Econômico noticia que a chapa dos sonhos do presidente Lula é Dilma-Ciro ou Ciro-Dilma. Se isto é verdade, o presidente precisa partilhar seus sonhos com o PT. No final de abril, a Executiva Nacional do PT vetou a aliança PT-PSDB para as eleições municipais de Belo Horizonte. O candidato seria Márcio Lacerda, correligionário e ex-auxiliar do deputado Ciro Gomes. Ou seja, o PT deu uma fortíssima canelada nos projetos de Ciro Gomes. O deputado teria ficado profundamente insatisfeito com a atitude do PT, declarando que mais uma vez a hegemonia paulista no partido levava os petistas a decisões equivocadas. Disse, na ocasião, Ciro Gomes: "É uma decisão inexplicável, inaceitável e incompreensível." Como se sabe, o PT é duro na hora de fazer alianças, de partilhar o poder, de abrir espaços para os aliados. O partido até pode contemplar a hipótese de uma chapa Dilma-Ciro. Mas aceitar ser vice numa chapa encabeçada por Ciro Gomes é muito, muito mais difícil. Para o PT paulista, atingido em cheio pelo escândalo do mensalão, é vital manter a sucessão do presidente Lula sob controle. Se não há um petista paulista que possa disputar como cabeça de chapa, o PT até poderá concordar em adotar como sua a candidatura de Dilma Roussef. Mas jamais aceitará ceder o posto para Ciro Gomes, cujos projetos de poder, pessoais e familiares, colidem em muitos aspectos com o projeto petista. Mas seria interessante ver esta chapa em ação. Como os dois candidatos têm pavio curto, pouco jogo de cintura político e não costumam levar desaforo para casa, a campanha eleitoral ficaria animadíssima.
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