Sociedade brasileira reprova o terceiro mandato (pesquisa Datafolha)Foi uma pesquisa bastante ampla, com mais de 11 mil entrevistas, quando os outros institutos de pesquisa estão fazendo menos de três mil, por causa dos custos. A recusa ao terceiro mandato pode servir de recado aos amigos do presidente Lula, que já estavam preparados para entrar com projetos de lei, convocação de plebiscito, e outras maluquices. Os entrevistados pela pesquisa recusaram não apenas o terceiro mandato para o presidente Lula, como para qualquer presidente. Como o Palácio do Planalto é movido a pesquisas de opinião, espera-se que saiba ler os resultados da pesquisa Datafolha. Os entrevistados também recusaram esta história de prorrogação do mandato do presidente por um ano, com a extinção da reeleição. Este assunto vem sendo tratado em reuniões entre o deputado cassado José Dirceu e representantes do governador José Serra. Seria uma maneira de contentar os tucanos – Aécio exige, para concordar com a candidatura Serra em 2010 – e de afastar o fantasma do terceiro mandato. Mas o eleitorado rejeitou. Mais de 60% dos entrevistados pelo Datafolha preferem a reeleição, uma só. Portanto, o recado é o seguinte: a sociedade brasileira não quer alterações nas regras do jogo democrático. O mandato é de quatro anos com possibilidade de uma reeleição. Ponto final. Quanto às simulações das eleições de 2010, dois comentários se impõem. Primeiro, é natural que José Serra apareça liderando as pesquisas. Seu nome está no noticiário político há muito tempo. Foi ministro da Saúde, candidato a presidente em 2002, candidato a prefeito da maior cidade do país em 2004 e candidato a governador no maior eleitorado do país em 2006. Seu nome está muito fresco na memória dos eleitores – mesmo daqueles que não votaram nele em 2002. Surpreendente é o desempenho mais do que medíocre do governador Aécio Neves. Praticamente desconhecido fora de Minas Gerais. Quanto ao PT, o desempenho de todos os petistas foi pífio. Marta Suplicy (a melhor), Dilma Roussef, Patrus Ananias, Jacques Wagner, nenhum deles conseguiu furar a barreira dos 10%. Se o PT aspira ter candidato próprio em 2010 – pretensão absolutamente legítima – precisa construir uma candidatura. Candidato a presidente da República não se improvisa. O Partido dos Trabalhadores sempre teve Lula como candidato. Agora precisa aprender a disputar eleição presidencial sem Lula na chapa. O PT precisa aprender a construir uma candidatura minimamente viável. Como está, não vai dar para esnobar Ciro Gomes.
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Por dentro do blogOK, vocês venceram. Relutei muito em tomar esta decisão, mas vi que vocês têm razão. Não posso permitir que um espaço tão democrático, uma convivência tão agradável, seja desrespeitado por um tarefeiro qualquer. Agradeço a quem puder me ajudar a identificar a máquina de onde partem estas bobagens. O comentarista Márcio afirma que já identificou a IP dessa "pessoa". Aceito. Os recursos tecnológicos deste blog não são lá muito sofisticados, mas eu não pensei que chegaria a esse nível. Estava enganada. Identificando a IP, posso acionar meu advogado para as providências cabíveis. Agradeço a todos e a todas pela paciência. Com a ajuda de vocês, vamos ganhar mais essa.
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Uns crescem, outros desaparecemIndependentemente do resultado da votação da CPMF – ao que TUDO indica, o governo vai ganhar($$$) mais esta –, um vencedor já se pode extrair desta novela chatíssima: o Democratas, o DEM. Explico. Seu antecessor, o PFL, Pefelê, como era conhecido, era também carimbado como o partido do “pudê”, grudado ao poder feito craca em casco de navio. Os democratas, dizia-se, não vão conseguir sobreviver fora do poder, vão perder o rumo, desaparecer. Quando o PT teve uma espetacular vitória na Bahia, com Jacques Wagner conquistando a jóia da coroa da pefelândia, decretou-se o fim dos democratas. (Jacques Wagner que se cuide, porque o ministro Geddel, aquele que ACM dizia ser “agatunado” (dicionário, moçada!), foi às compras. Adquiriu a amizade de mais de 300 prefeitos, e em 2010, pode surpreender Jacques Wagner, que ainda não assumiu o governo da Bahia. Geddel quer ser governador.) Pois o PFL se reinventou, virou DEM, encastelou-se na crítica ao governo. Decidiu ser o partido das classes médias estranguladas com a carga tributária, e elegeu a CPMF como o inimigo a ser combatido. E ganhou. Pode perder a votação, mas construiu uma identidade sólida como partido de oposição. No último discurso (ou será o penúltimo? O homem fala tanto), o presidente Lula declarou que, contra a CPMF, só está o DEM. Era o que faltava ao partido: o reconhecimento, por parte da situação, de que ele é o principal adversário, a liderança da oposição. Sobram os tucanos... Pois é. A fama de “muristas” fica cada vez mais sólida. A fama de descarnados também. Desde o início do governo Lula, os tucanos perderam a bandeira, a identidade, o rumo... Ao não punirem Eduardo Azeredo lá atrás, em 2005, quando seu nome apareceu no valerioduto mineiro, os tucanos perderam a bandeira da ética e a vergonha na cara. Agora, hesitantes em cassar Renan Calheiros, por conta de um compadrio inadmissível. Titubeantes em condenar a CPMF por causa da gula exagerada de Serra e Aécio. Os tucanos perderam de vez a compostura. Diria o síndico Tim Maia, “vale tudo, vale o que vier”.
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Porque hoje é sábado
Mais um debate promissorEstimulada pela riquíssima participação de vocês (mais de 100 comentários) no debate sobre presidencialismo X parlamentarismo, travado no fim de semana de 17-18 de novembro, proponho um novo tema para este fim de semana: Voto distrital X voto proporcional Apresentem seus argumentos, pró e contra os dois sistemas eleitorais. Vamos contribuir para o debate. Afinal, existe vida inteligente longe do debate sobre Renan Calheiros (absolve/cassa) e CPMF (prorroga/derruba).
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Fortes emoções nas alturasEscrevo num computador emprestado, com o qual não tenho familiaridade. Por exemplo, não consigo encontrar o acento agudo. Estou em Brasilia, para falar no Congresso das Mulheres do PPS. Sempre e muito conversar sobre politica, principalmente com gente interessada. Vim no vôo da TAM, lotadissimo. Desconfio que cancelaram alguns para juntar todo mundo num aviao so. Viagem sem problemas, ate que começamos a sobrevoar Brasilia. De repente, um clarão e um estrondo. Ninguem pronunciou uma palavra. Todos os passageiros mudinhos. Nenhuma explicação por parte da tripulação. Era como se não tivesse acontecido nadinha de nada. A passageira ao meu lado teve uma taquicardia e se abraçou ao marido. Na saida, perguntei 'a aeromoça o que tinha acontecido. "Um raio", disse ela. Então ficamos combinados assim.
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PinóquiosO governo diz que tem votos para aprovar a prorrogação da CPMF. A oposição diz que tem votos para derrotar a prorrogação da CPMF. Os dois lados estão mentindo.
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Correndo atrás do prejuízo -- no palanque, como sempreO presidente Lula critica o DEM (ex-PFL), argumentando com irritação que os antigos pefelistas e atuais democratas torcem contra o país. Nos cursos de Ciência Política, a gente estuda uma figura chamada strawman, espantalho. O strawman funciona como o saco de pancadas no treinamento de boxe. É falso, mas funciona como se fosse um adversário. Na retórica, o saco de pancadas é uma maravilha. O presidente Lula foi dos primeiros políticos a perceber as evidentes vantagens político-eleitorais da construção retórica, volto a dizer, falsa e fictícia, até mesmo mal-intencionada, de um "espantalho". Desde que assumiu o poder, Lula não se cansa de criticar e atacar "aqueles que torcem todo dia para o país não dar certo". Quem é que disse que a oposição atual torce para o país não dar certo???!!! A única oposição que se conhece que torcia para nada dar certo, uma oposição birrenta, adolescente, na base do "não vi, não gostei, não considerei e não vou votar", hoje está no poder. Eram bravatas, diz o próprio presidente Lula. Pois é. Então tá.
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Agora é voto a votoEncerrada a reunião entre senadores do DEM, do PSDB e alguns dissidentes da base aliada, chegou-se ao seguinte resultado. A oposição aposta que tem voto suficiente para derrubar a CMPF, pois conta com os 14 senadores do DEM, os 13 do PSDB e sete da base aliada. Total: 34 votos, dois a mais que o suficiente para derrotar a emenda. São os seguintes os senadores do DEM: Adelmir Santana DF Antonio Carlos Júnior BA Demóstenes Torres GO Efraim Morais PB Eliseu Resende MG Heráclito Fortes PI Jayme Campos MT José Agripino RN Jonas Pinheiro MT Kátia Abreu TO Marco Maciel PE Maria do Carmo Alves SE Raimundo Colombo SC Rosalba Ciarlini RN Senadores do PSDB: Álvaro Dias PR Arthur Virgílio AM Cícero Lucena PB Eduardo Azeredo MG Flexa Ribeiro PA João Tenório AL Lúcia Vania GO Mario Couto PA Marconi Perillo GO Marisa Serrano MS Papaléo Paes AP Sérgio Guerra PE Tasso Jereissati CE Quanto aos senadores da base aliada que vão votar contra a CPMF, segundo as contas da oposição, são eles: PMDB Jarbas Vasconcelos PE Mão Santa PI Pedro Simon RS PR Expedito Júnior RO Romeu Tuma SP PTB Mozarildo Cavalcanti RR PSOL José Nery PA Mas... Sempre tem um mas. O governo guarda algumas cartas na manga. Esta tarde, já conquistou o voto do senador Cristóvam Buarque, que declarou na tribuna do Senado que vota a favor da prorrogação da CPMF. Além de Cristóvam, o governo tem como certo que quatro senadores do PSDB vão trair seus companheiros e votar a favor da CPMF. São eles: Eduardo Azeredo MG João Tenório AL Cícero Lucena PB Lúcia Vania GO Também no DEM o governo conta com traições ( três senadores): Jaime Campos MT Jonas Pinheiro MT Adelmir Santana DF Esses nomes deverão ser checados e rechecados diariamente, até a votação da CPMF em primeiro turno, o que, segundo cálculos otimistas, deverá acontecer lá para 10 de dezembro. Vamos acompanhar, até porque o voto em plenário é aberto, pois se trata de proposta de emenda constitucional. E o que acontece se a PEC for derrotada? A CMPF é extinta. Nova PEC deve ser encaminhada ao Congresso, propondo a recriação da CPMF -- não se pode prorrogar um imposto que não existe mais. Segundo a Constituição, a nova PEC só poderá ser apresentada em 2008, no início da nova sessão legislativa. E mesmo que seja aprovada a toque de caixa, só poderá começar a ser cobrada 90 dias depois de aprovada (a famosa noventena). Não surpreende, portanto, a agonia do governo federal.
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Governo joga pesado Depois de uma desastrada e desastrosa tentativa de negociação com a oposição e com os senadores da base aliada (Presidente Lula, o ministro Mantega é um perigo! Não pode ser negociador do governo.), o governo entra em campo com artilharia pesada para tentar escapar do prejuízo e aprovar a CPMF. Primeiro, suspendendo o envio ao Congresso de dois projetos importantes: a política industrial (R$ 5 bilhões em desonerações e isenções) e a reforma tributária (quanto a esta, há muitas dúvidas de que o governo estivesse falando a sério). Com isso, o governo espera sensibilizar governadores e empresários, para que façam pressão sobre os senadores. Segundo, suspendendo o envio ao Congresso do projeto de lei aumentando o salário do funcionalismo (gastos de R$ 1,5 bilhão em 2008) e segurando a votação final do Orçamento da União para o ano que vem. Foram suspensos reajustes já combinados com servidores do Banco Central, da Polícia Federal, do Ministério da Cultura, do Incra, técnicos das universidades federais e fiscais agropecuários. Ao todo, 203 mil funcionários. Com isso, o governo espera jogar essas categorias contra os senadores, e assim recolher frutos eleitorais da aparente impopularidade da atitude da oposição. Terceiro, o governo liberou emendas de parlamentares, cerca de R$ 500 milhões, e também emendas de bancadas, normalmente patrocinadas por senadores, no valor de R$ 90 milhões. Para o Orçamento do ano que vem, PMDB e PT garantiram a maior fatia de emendas aprovadas, embora os peemedebistas ainda não estejam satisfeitos. O governo pode fazer melhor. Tem mais. Na Câmara, a base governista decidiu obstruir os trabalhos, para não votar as Medidas Provisórias que estão trancando a pauta. Isto para que as MPs não sejam enviadas ao Senado e passem à frente da votação da CPMF. Com isso, podem caducar algumas MPs importantes para o governo, inclusive a que cria a TV pública. O presidente Lula, por sua vez, não desistiu, e vai procurar os governadores do PSDB para que pressionem a bancada. São estas as principais armas do governo. É artilharia pesada. Já na oposição, senadores contam 27 votos (toda a bancada do DEM e do PSDB) e ainda seis votos da base governista: no PMDB, Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS), Mão Santa (PI) e Geraldo Mesquita (AL); no PTB, Mozarildo Cavalcanti (RR); no PSOL, José Nery (PA). Mas a oposição tem esperanças ainda em Romeu Tuma (PTB-SP), César Borges (PR-BA), Jefferson Péres (PDT-AM), Expedito Júnior (PR-RO) e Osmar Dias (PDT-PR). Por isso mesmo, a oposição quer acelerar a tramitação e a votação da CPMF. Democratas e tucanos consideram que dá para derrotar a CPMF. O governo, que ainda não tem os 49 votos, corre contra o tempo. Agora, vai ser na sintonia fina. E na base da máquina de calcular. Preparem o bolso, porque a conta vai ser salgada.
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Promessas, só promessasEm 2003, quando precisava aprovar a prorrogação da CPMF até 2007, o governo Lula fez uma série de promessas e conseguiu o apoio, não só da base governista, mas de muitos parlamentares da oposição. A CPMF foi prorrogada até dezembro de 2007. O governo não cumpriu uma única das promessas feitas. Por isso, não deveria surpreender ninguém no Planalto a desconfiança, tanto da oposição quanto dos senadores da base aliada, quanto ã verdadeira disposição do governo de cumprir alguma das muitas promessas feitas ao longo dos últimos dois meses. Quando se sentou na mesa para negociar com os senadores do PSDB, o governo abriu um pacote de bondades, tais como desonerações variadas e isenções também variadas. Chegou mesmo – o que não faz o desespero! – a se comprometer com o envio de um projeto (mais um) de reforma tributária ao Congresso, até o dia 30 de novembro. O PSDB não aceitou a corte, não quis assumir compromisso e se retirou das negociações. O governo, por sua vez, também começou a retirar suas promessas. Os piores temores de aliados e oposicionistas confirmaram-se ontem, quando o ministro da Fazenda declarou que desistiu de enviar o projeto de reforma ao Congresso. Enquanto o novo líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana, declarava que se tratava apenas de um adiamento, a líder do PT no Senado declarava que a proposta de reforma só se justificava porque havia negociações abertas com o PSDB. Já que os tucanos se retiraram da mesa de negociações, para a habilíssima líder petista, não haveria mais reforma, nem antes nem depois. À parte do fato de que, mais uma vez, o governo vem a público com o discurso inteiramente desafinado, sinal de fragilidade na articulação política, o recuo só vem se juntar a uma coleção de promessas não cumpridas pelo governo. Dessa forma, fica muito difícil construir uma ponte de negociação entre governo e oposição, e mesmo entre governo e sua base aliada. O muro de desconfiança erguido entre governo e sociedade, entre governo e classe política torna tudo mais complicado, penoso, e infinitamente mais caro. Se não conseguir aprovar a prorrogação da CPMF até 31 de dezembro, o governo federal vai sentir na pele o resultado da incompetência de sua articulação política. Como o presidente Lula declarou em entrevista que governar é gastar, vai ter que aprender que governar é também cumprir acordos políticos.
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