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  Lucia Hippolito
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TRE do Estado do Rio tem uma boa idéia

Reza o § 9º do Art. 14 da Constituição: “Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato, considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. (grifos meus)

Com base nesse artigo, vários TREs vêm tentando impugnar candidaturas às eleições. Gente que não convidaríamos para tomar um café na nossa casa, com medo de que eles roubem a colherinha.

Mas os candidatos recorrem ao TSE, que sempre, invariavelmente, suspende a impugnação e permite, não só a candidatura, mas a posse dessa gente.

O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, argumenta que não pode tomar outra atitude, uma vez que as pessoas só são condenadas depois de terem sido esgotados todos os recursos, de terem sido percorridas todas as instâncias da justiça.

E o resultado prático é o que vemos: o Congresso, as Assembléias e as Câmaras Municipais são um verdadeiro passeio pelo Código Penal – isto para não falar nos Executivos.

Com as raras e honrosas exceções de praxe, o Legislativo brasileiro abriga todo tipo de malfeitor. Gente condenada em primeira instância ou indiciada por homicídio, tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo bancário de caseiro, falsidade ideológica, estupro, tráfico de influência... E por aí afora.

Todo mundo que tem contas a ajustar com a Justiça concorre a um cargo público porque tem a certeza da impunidade, que lhe garante o foro privilegiado.

Novamente, com as raras e honrosas exceções de praxe, foro privilegiado hoje é guarda-chuva para bandido.

Os partidos não impedem a candidatura, a Justiça não pune, a Justiça Eleitoral não barra. E o pobre do eleitor fica com a total responsabilidade por mandar para o Legislativo e o Executivo uma gente horrorosa.

Pois o presidente do TRE do Estado do Rio, desembargador Roberto Wider, decidiu interromper este ciclo sem fim de impunidade.

Nas eleições de 2006, o TRE-RJ impugnou várias candidaturas, principalmente de deputados federais envolvidos com a máfia das sanguessugas e que buscavam a reeleição.

Os candidatos recorreram ao TSE e conseguiram o direito de se candidatar. Mas nenhum foi eleito no Estado do Rio.

Aí é que reside a engenhosidade do TRE-RJ.

Enquanto o TSE não decide, o candidato não pode fazer campanha. Assim, quanto mais a Justiça Eleitoral demorar, menos tempo o cidadão tem para sua campanha. Nas eleições de 2006 no Rio, nenhum deles foi eleito.

Para as eleições de 2008, o presidente do TRE-RJ decidiu aperfeiçoar. Reuniu-se com os juízes eleitorais do estado, e foi decidido que a impugnação já vai começar no nascedouro, isto é, na própria cidade onde foi registrada, impugnação realizada pelo juiz eleitoral do município.

Evidentemente, o candidato vai recorrer ao TRE. Mas sua campanha já estará suspensa.

O TRE-RJ, na grande maioria dos casos, vai manter a impugnação. Evidentemente, o candidato pode recorrer ao TSE. Mas sua campanha continua suspensa, à espera da decisão do Tribunal.

Nessa toada, meses podem-se passar, dificultando a campanha do candidato que tem contas a prestar na Justiça.

O presidente do TRE-RJ usa, assim, a tradicional morosidade da justiça brasileira, para impedir que uma porção de gente desqualificada seja eleita para cargos públicos.

Quem sabe, se outros TREs aderirem, não teremos algum progresso?

Todas as idéias são bem-vindas, quando se trata de melhorar a qualidade da representação política no Brasil.

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Burocracia e corrupção: gêmeas siamesas

A notícia política mais importante de hoje vem das páginas de Economia: o Fórum Econômico Mundial lançou o Relatório de Competitividade Global 2007-2008.

E, mais uma vez, é má notícia para o Brasil: o país caiu seis posições desde o ano passado. Entre 131 países pesquisados, caiu do 66º para o 72º lugar.

Em 2006, já tinha caído nove posições em comparação a 2005. Isto é, em dois anos, o Brasil caiu 15 posições: de 57º para 72º lugar.

E o pior é que as explicações continuam exatamente as mesmas: excesso de burocracia, corrupção, altíssima carga tributária e falta de confiança nos governos, no Legislativo e no Judiciário.

Burocracia sempre andou de braços dados com a corrupção, como gêmeas siamesas. Uma não existe sem a outra.

Já é consenso que, na maioria das vezes, criam-se dificuldades para vender facilidades.

O excesso de burocracia produz os waldomiros (o inesquecível Waldomiro Diniz!). Os waldomiros são pessoas jeitosas, que abrem portas, facilitam as coisas, contornam as dificuldades e obstáculos erguidos pela burocracia. Mediante pecúnia, naturalmente.

A forma de ocupação da máquina pública no Brasil sempre foi à base de nomeações dos aliados do governo. O clientelismo não é invenção do governo Lula, mas foi no governo Lula que atingiu níveis nunca dantes alcançados.

Quase 40 ministérios (incluindo aí as Secretarias com status de ministério) geraram um esquartejamento e um loteamento jamais vistos.

As conseqüências inescapáveis são as superposições de funções, a multiplicidade de órgãos fazendo a mesma coisa – para, como no caso do caos aéreo, muitas vezes não fazer nada.

Toda a máquina pública é esquartejada entre partidos aliados do governo, gerando a proliferação de burocracias rivais, que se fiscalizam umas às outras, e esquemas de corrupção também rivais.

Semana passada, o Instituto Hélio Beltrão promoveu em Brasília um seminário internacional sobre burocracia e corrupção, e as conclusões foram no sentido da íntima relação entre as duas.

Vários especialistas estrangeiros afirmaram que é possível, sim, aperfeiçoar os instrumentos de prevenção da corrupção, para não depender apenas da punição – todo mundo sabe como é a nossa Justiça.

Uma das práticas mais interessantes adotadas em vários países é a identificação na máquina pública os cargos mais sensíveis à tentação da corrupção e submetê-los a um monitoramento constante.

Por exemplo, promovendo um rodízio mais freqüente dos titulares desses cargos, de modo a impedir que uma permanência excessiva na função gere intimidade com os setores do mundo privado que têm negócios com o governo.

Por hipótese, algumas diretores de Furnas, do Dnit, da Petrobrás, dos Correios, alguns Departamentos do BNDES, do Banco do Brasil, poderiam ter um rodízio, digamos, anual de titulares, de modo a impedir a criação de vínculos com fornecedores, empreiteiras e outras empresas que fazem negócios com essas áreas.

Outra prática adotada é submeter os titulares desses órgãos sensíveis à fiscalização bancária e telefônica, à exigência de entrega freqüente de declarações de renda e de variação patrimonial.

Em suma, jeito tem.

O Brasil não está condenado nem à corrupção nem à impunidade.

Não custa repetir: a burocracia é irmã gêmea da corrupção. Para sustentar uma burocracia inchada, a carga tributária é cada vez mais asfixiante.

E o resultado é que empresários nacionais e estrangeiros não confiam nos governos, nem no Legislativo e muito menos no Judiciário.

Mas se quer ser um país mais competitivo, atraindo a confiança de investidores privados, nacionais e estrangeiros, o Brasil precisa melhorar muito nesse ranking.


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Futebol é bola na rede – A Copa de 2014 é nossa

OK, futebol não é assunto de vida e morte. É muito mais importante!

OK, sediar uma Copa do Mundo é bacana prá burro. Não há evento (esportivo, político, bélico, nada) que reúna tanto interesse no mundo inteiro.

São bilhões de pessoas grudadas em aparelhos de rádio, TV, telões ou presentes nos estádios.

Mas o Brasil era candidato único a sediar a Copa de 2014.

Precisava aquele trem da alegria, aquela super-mega boca-livre, com o presidente da República e NOVE (!!!) governadores?!

Ah, mas Ricardo Teixeira, presidente da CBF, é muito poderoso. Tão poderoso que controlou a CPI realizada há alguns anos no Congresso.

Tão poderoso, que tem influência decisiva na escolha das cidades que vão sediar jogos da Copa do Mundo.

E o Pelé, expressão maior do esporte no Brasil, por que não estava presente?

Ah, porque Ricardo Teixeira, presidente da CBF, é muito poderoso. Ele e Pelé se odeiam. E o poderoso Ricardo Teixeira barra a presença de Pelé nesses eventos da CBF.

(Adivinhem de quem a posteridade vai se lembrar e quem a posteridade vai brindar com o anonimato.)

Mas Ricardo Teixeira apresentou a candidatura do Brasil como se o fato de sediar a Copa do Mundo fosse a redenção do país.

Segundo ele, com a Copa consertaremos as estradas, os portos, os aeroportos. Erradicaremos o analfabetismo.

Haverá maiores e melhores hospitais.

O problema de segurança das cidades brasileiras estará resolvido, assim como a infraestrutura de transportes urbanos.

Menos, dr. Teixeira. Menos.

A campanha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Pan-Americanos de 2007 incluíam uma linha de metrô até a Barra da Tijuca (não saiu do papel); a completa despoluição da baía de Guanabara (não saiu do papel); a completa dragagem da lagoa Rodrigo de Freitas (realizada apenas parcialmente).

O Brasil precisa aprender que quem não cumpre promessa de campanha é político.

Um país precisa assumir os compromissos assumidos, sob pena de não atrair mais investimentos estrangeiros.

Quem é que quer botar seu dinheiro num país que não cumpre contratos?

Além disso, a Fifa não é a Odepa. A Fifa é rigorosíssima quanto à fiscalização e à cobrança do cumprimento de metas.

A partir de 2008, uma comissão da Fifa se muda para o Brasil e vai acompanhar in loco o cumprimento das promessas feitas durante a campanha para sediar a Copa.

Caso não cumpra os compromissos, em 2012 o país pode ser descredenciado.

A Fifa conta com um grupo de emergência, uma espécie de G7 do futebol. São países que podem assumir a realização de uma Copa do Mundo de um dia para o outro, se ocorre algum problema com o país-sede: desorganização, guerra, catástrofe natural, epidemia, coisas assim.

Há muito dinheiro em jogo, e não se pode deixar nada para o improviso.

Inglaterra, Alemanha, França, Estados Unidos, Itália, entre outros, estão aptos a sediar rapidinho uma Copa do Mundo.

Vamos esperar que os compromissos assumidos hoje pelo Brasil com a Fifa sejam cumpridos, para que o país possa realizar uma belíssima Copa do Mundo em 2014.

A gente merece, né não?

Daqui para 2014, temos sete anos para o Brasil planejar cuidadosamente as obras que precisam ser feitas, elaborar orçamentos realistas e cumprir metas e prazos.

Não deveria ser muito difícil.


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A polêmica do terceiro mandato

O presidente Lula, toda vez em que é perguntado, rechaça a hipótese de disputar um terceiro mandato.

Declara que não é bom para a democracia, nem para o país nem para ele.

Quanto à profissão de fé na democracia, não há por que não acreditar na palavra do presidente da República.

Mas as propostas para possibilitar um terceiro mandato estão aparecendo e poderão ser apresentadas no Congresso.

Uma delas, de um deputado petista (surpresa!), propõe que o Congresso convoque um plebiscito junto com as eleições municipais de 2008, perguntando ao eleitorado se é a favor de um terceiro mandato.

Outra proposta, de um deputado do PTC, é uma emenda constitucional prorrogando por um ano os mandatos do Executivo federal, estaduais e municipais, permitindo ao presidente disputar um terceiro mandato.

Sabendo-se do poder do presidente Lula sobre o Partido dos Trabalhadores, é de se perguntar por que ele não dá ordens para a turma parar com isso.

O temor de boa parte da oposição, de que vem aí o terceiro mandato, baseia-se em alguns elementos concretos.

Primeiro, ainda não apareceu um candidato natural da coalizão que se construiu em torno de Lula. Por mais que o presidente se declare encantado com a ministra Dilma Roussef, ela tem “cintura dura”.

Ainda está muito verde, ainda tem que mostrar serviço quanto às obras do PAC, e não é nada simpática. Nada mesmo.

Resultado: candidata muito pesada. Ruim de carregar.

Segundo, o presidente nada de braçada numa popularidade nunca vista neste país.

Se a economia finalmente deslanchar, se o país atingir patamares mais robustos de crescimento, Lula terminará o governo como o presidente mais popular da História.

Mas o que fazer com essa popularidade toda?

Terceiro, a máquina pública brasileira foi praticamente tomada por petistas, sindicalistas e militantes de movimentos sociais, com salários muito mais altos do que aqueles a que estavam habituados.

Esses “companheiros”, que não vão largar o osso sem estrilar muito, seriam os principais cabos eleitorais da idéia do terceiro mandato.

Quarto, o Bolsa-Família, que já atinge 25% das famílias brasileiras, deverá ser estendido, consolidando-se como a mais formidável máquina de fabricar votos de que se tem notícia.

Quarto, a oposição, como sempre, perde-se em lutas internas, tem excesso de candidatos, mas não tem voto, briga antes da hora. Muito cacique e pouco índio.

Se continuarem cometendo os mesmos erros, vão perder novamente.

E para completar, há o ambiente externo. Desde que o mundo é mundo, que a política vive em “ondas”.

Onda de ditaduras militares na América Latina, onda de governos conservadores na Europa, depois onda de governos de esquerda, e por aí vai.

A conjuntura atual, ao menos na América Latina, está consolidando uma onda de governos populistas, mais ou menos autoritários, mas certamente continuístas.

Esta onda favorece a hipótese de um terceiro mandato para o presidente Lula.

De mais a mais, qual é o governante que não quer permanecer no poder?

Quando apareceu a oportunidade, Fernando Henrique aprovou a reeleição, inclusive em benefício próprio.

Por que o presidente Lula, tão popular, tão convencido de que o seu é o melhor governo brasileiro desde Pedro Álvares Cabral, um governante com a auto-estima nas nuvens e que gosta tanto de desfrutar os requintes e as benesses do poder, vai abrir mão de mais um mandato (ou dois, ou três)?

Não parece lógico. Mesmo que não queira, Lula pode aceitar, “docemente constrangido”.

Afinal, o presidente sempre se declarou contrário à reeleição, mas também declarou que “as circunstâncias políticas” o obrigaram a concorrer a um segundo mandato.

Portanto, novas “circunstâncias políticas” (o que quer que isto signifique) podem obrigá-lo novamente.

Tudo isto vai ficar mais claro assim que terminar a votação da CPMF no Senado.

Vamos acompanhar com atenção, porque a coisa promete.

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Por dentro do blog -- (de novo)

Prêmio “As mulheres mais influentes do Brasil”

Mais uma vez, estou muito feliz.

Sou uma das três finalistas do prêmio “As mulheres mais influentes do Brasil”, na categoria jornalismo, competindo com Ana Paula Padrão (SBT) e Sonia Racy (O Estado de S. Paulo).

A companhia muito me honra. E desde já me considero vitoriosa, pois se trata de um prêmio sério e de muito prestígio.

Criado em 2004, o prêmio é patrocinado pela Gazeta Mercantil, Jornal do Brasil e CBM-Cia. Brasileira Multimídia.

Muitos de vocês já votaram em mim.

Para aqueles que ainda não tinham sido informados e que, de repente, podem querer me dar a honra de um voto, basta acessar http://www.mulheresinfluentes.com.br e seguir as instruções.

Obrigada a todas e a todos. Vocês são, em grande parte, responsáveis por esta indicação.


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Porque hoje (ontem) é (era) sábado

Depois de uma semana viajando, finalmente aterrissei em casa – e na minha cozinha.

Para relaxar e me distrair, cozinho sem para desde ontem à noite. Experimento receitas, ouso sabores, mimo meu marido.

Mas tenho compromissos com vocês – e estou com saudades.

Por ter passado por Salvador esta semana – sol esplendoroso, Lua cheia, gorda e feliz, depois de um Rio que se dissolve em chuva e lama e uma São Paulo debaixo de chuva constante – lembrei de coisa importante.

Está na hora de uma campanha.

A Fundação Casa de Jorge Amado está em ruínas e sem um tostão furado. Nem Bolsa-Família recebe.

Sendo o ministro Gil um baiano, que não teria estreado (baiano não nasce, estréia) sem a existência e a militância democrática de Jorge Amado, é inconcebível que o Ministério da Cultura deixe a Casa de Jorge Amado à míngua.

É inconcebível que Caetano, Bethânia e Gal não tenham saído em passeata, exigindo que o Ministério da Cultura tome providências – os três poderiam arcar com o financiamento, como fazem artistas no mundo inteiro, mas deixa para lá.

Pelo menos uma passeata poderiam ter feito.

A triste realidade é que a família de Jorge Amado está vendendo o acervo de um dos maiores escritores da literatura mundial, patrimônio brasileiro, para a Universidade de Harvard.

Incrível como os sindicatos, o PT, as centrais sindicais acham que é importante lutar pela reestatização da Vale do Rio Doce, uma empresa que, depois de privatizada, orgulha muito mais o Brasil do que quando era estatal, ineficiente, prenhe de clientelismo, corrupção, nepotismo e outras mazelas.

Mas estes mesmos sindicatos, este mesmo PT, estas mesmas centrais sindicais não se escandalizam com a venda de um patrimônio nacional infinitamente mais importante: o acervo de mais de 250 mil peças da coleção particular de Jorge Amado para a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Em homenagem a meu queridíssimo amigo João Ubaldo Ribeiro, encampo esta luta e convido vocês, gentis e combativos freqüentadores deste blog, a esta cruzada cívica.

Não é possível que Harvard fique com o acervo de Jorge Amado e nós, com Mangabeira Unger!!!!!

Vamos retomar nossas passeatas virtuais.

Ao computador! Vamos entupir as caixas postais dos senadores, deputados, do Ministério da Cultura, da Casa Civil da Presidência!

Queremos o acervo de Jorge Amado no Brasil, na Bahia, na Fundação Casa de Jorge Amado!

E que Harvard receba de volta seu full-professor, Mr. Mangabeira-Unger!

Ao trabalho!

Porque hoje é sábado.

(atualizado domingo, às 16:11h. A área de trabalho do blog ficou fora do ar por problemas técnicos. Peço desculpas e prometo lutar para que isto não aconteça mais.)
Bom final de domingo.)



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TSE também está batendo um bolão

Do blog do Noblat

TSE estabelece rito sumário para cassar infiéis

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou há pouco a resolução que disciplina a fidelidade partidária. Ela traz detalhes de como a Justiça Eleitoral lidará com os processos que chegarem por lá daqui pra frente.

O que foi decidido:

Quem irá processar e julgar os processos?

Em caso de mandatos federais (presidente, senador e deputado federal): o Tribunal Superior Eleitoral. Nos demais casos (vereadores,prefeitos, deputados estaduais e governadores): o Tribunal Regional Eleitoral do respectivo Estado.

Em que situações o parlamentar pode trocar de partido sem problemas?

Em casos de incorporação ou fusão de partidos; criação de um novo partido; mudança substancial da ideologia do partido e grave discriminação [perseguição política].

Quem pode acionar a Justiça Eleitoral sobre o tema?

Até 30 dias depois da desfiliação: os partidos interessados em reaverem vagas conseqüentes de troca de partido sem justa causa.

Depois de 30 dias da desfiliação: demais interessados no cargo, como o suplente ou mesmo o Ministério Público (MP).

Outros detalhes...

- Quem estiver acusando poderá chamar até três testemunhas. Quem for se defender terá cinco dias para se manifestar.

- Após a entrada do processo, o tribunal ouvirá em 48 horas o Ministério Público - quando ele não estiver envolvido no caso.

- Depois que o MP se manifestar, o tribunal ouvirá as testemunhas no quinto dia útil subseqüente, caso seja necessário.

- Depois de 48 horas após a colhida dos depoimentos, as partes poderão apresentar alegações finais.

Quando o processo irá a julgamento?

Na primeira sessão depois de 48 horas do fim da fase de instrução - que inclui a colhida de provas, a manifestação do MP e das testemunhas. Acusador e acusado terão 15 minutos cada para se manifestar durante o julgamento.

Quando o suplente ou o vice deverá tomar posse?

Em até 10 dias depois que o tribunal decretar a perda do mandato.

Quanto tempo deverá durar a tramitação do processo?

A contar da data da entrada do processo, o tribunal terá 60 dias para concluir o julgamento da questão.

Quais os marcos temporais para o fim do troca-troca?

As datas das respostas feitas pelo TSE a consultas sobre o tema. Ou seja: quem trocou de partido antes de 27 de março (para cargos proporcionais) e 16 de outubro (para cargos majoritários) não corre risco de perder o mandato.

(era a minha aposta, para manter a coerência da decisão do Supremo. Assim, os três senadores que trocaram de partido e os prefeitos, com destaque para o prefeito José Fogaça, de Porto Alegre, mantêm os mandatos. Mas a farra acabou.)

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Supremo continua batendo um bolão

Hoje à tarde, o STF se reuniu para disciplinar um assunto que já deveria ter sido regulamentado pelo Legislativo desde a Constituição de 88, isto é, há exatos 19 anos.

Trata-se do direito de greve do servidor público.

Previsto na Constituição, jamais tinha sido regulamentado. E a greve do servidor passou a ser um assunto-tabu, justamente porque o PT sempre teve no funcionalismo público uma de suas principais bases de apoio político-eleitoral.

Enquanto estava na oposição, o PT se opôs tenazmente à qualquer tipo de regulamentação, argumentando que isto feririra o sagrado direito do servidor à greve.

Depois que chegou ao poder, o PT considerou que não deveria tocar no assunto, para não perder o apoio dos servidores. Até porque a reforma da Previdência do setor público, aprovada no primeiro mandato do presidente Lula, já tinha abalado um pouco as relações entre funcionários públicos e PT.

Acontece que, quando um trabalhador do setor privado vai para a greve, sabe que arrisca o emprego -- e muitas vezes, a própria vida. Basta se lembrar de greves de mineiros e de estivadores, para ficar apenas nas mais violentas.

No setor privado, a greve só acontece como última etapa da negociação, depois de esgotadas todas as tentativas de entendimento.

Já no setor público, a coisa acontece ao contrário. Primeiro, parte-se para a greve "por tempo indeterminado", depois se tentar negociar.

Greve no setor privado procura prejudicar o lucro do patrão.

Greve no setor público acaba sempre prejudicando o usuário, isto é, a população, e sempre a população mais pobre, aquela que é dependente dos serviços públicos de saúde, educação e transporte.

Com a decisão do Supremo, passam a valer para o setor público as mesmas regras do setor privado, com as necessárias adaptações.

Depois, o Congresso se queixa de que a política está sendo judicializada, de que o Judiciário está interferindo nas atribuições do Legislativo.

Como passou 19 anos sem regulamentar a matéria, o Legislativo não tem do que reclamar.

O Supremo botou ordem na casa.

Ponto para o Judiciário.

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Por dentro do blog

Para refrescar a memória dos gentis comentaristas deste blog:

"Toda vez que tiver que responder a alguma indagação de vocês, eu o farei sob este título: “Por dentro do blog”. Assim todos ficarão informados de que sou eu mesma que estou respondendo. Jamais ocuparei o espaço dos comentários, e ainda por cima com outro nome que não o meu.

Vocês podem usar pseudônimos, nomes-fantasia, ou mesmo participar anonimamente. Eu não."

Portanto, gentis comentaristas, mesmo que algum(a) gaiato(a) participe do espaço dos comentários com o meu nome, podem estar certos de que se trata, ou de outra pessoa, ou de uma brincadeira de mau gosto.

Além disso, alertada pelo moderador deste blo, autorizei a supressão de alguns comentários, pelas seguintes razões: este é um espaço democrático, para discussão, e não para reprodução integral de colunas e/ou notícias de jornal.

A segunda razão para supressão de uns poucos comentários foi a publicação de ofensas a respeito de comentaristas deste blog. Isto não será permitido.

Como já disse mais de uma vez, este é um blog par adultos discutirem de maneira adulta uma imensa e variada gama de temas.

Que continue assim.

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Por dentro do blog

Uma chuva forte conseguiu o que nenhuma central sindical conseguiu até hoje: parar as duas maiores cidades do país.

E sobretudo parar o trânsito entre as duas megacidades.

Depois de meses de seca, o Rio de Janeiro começou a se dissolver na tarde/noite de ontem.

Eu consegui sair às 18,30h, depois de meu vôo original ter sido cancelado.

Consegui aterrisar em Congonhas num intervalo entre pancadas de chuva.

À noite, o morro acima do Túnel Rebouças no Rio começou a desabar. Desabou durante a noite inteira.

Hoje pela manhã, a cidade parou. A principal ligação entre a Zona Norte e a Zona Sul estava interrompida.

O temporal não deu trégua. Ninguém podia sair de casa, o trânsito deu um nó.

O morro voltou a desabar na frente de uma das galerias do Rebouças, no Cosme Velho.

Eu, aqui em São Paulo, enfrentava chuva o dia inteiro. Mais fraca pela manhã, muito forte à tarde.

O Programa do Jô vai ao ar hoje meio desfalcado. Ana Maria Tahan demorou três horas para chegar ao Santos Dumont, que estava fechado – e fechado continua.

Cristiana Lobo ficou uma hora e meia dentro de um avião em Brasília, tentando decolar para São Paulo, mas a informação era a de que Congonhas estava sem energia. Cristiana vai falar lá de Brasília.

Vamos torcer para tudo acabar bem.

Impressionante como estamos despreparados para uma emergência.


(atualização às 20h) -- Ana Maria Tahan foi para o estúdio da TV Globo no Rio e também vai entrar de lá. O Programa do Jô vai ao ar completo hoje.

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  PERFIL
   
 

Lucia Hippolito é cientista política, historiadora e jornalista, especialista em eleições, partidos políticos e Estado brasileiro. É comentarista política da Rádio CBN desde 2002. Faz comentários também para o Uolnews e para a Globonews.

Colaboradora de vários jornais e revistas, debatedora dos programas Sem Censura (TVE/Rede Brasil) e Debates Populares (Rádio Globo AM-Rio), é também autora de vários livros sobre política, dentre os quais "PSD de raposas e reformistas", publicado pela Editora Paz e Terra e premiado como melhor obra de ciência política pela Anpocs (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências Sociais); e "Política. Quem faz, quem manda, quem obedece", escrito em co-autoria com João Ubaldo Ribeiro, publicado pela Editora Nova Fronteira. Mais recentemente, escreveu "Por dentro do governo Lula. Anotações num diário de bordo", publicado pela Editora Futura.


e-mail:
lucia.hippolito@sgr.com.br


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