A vaia no presidente LulaRealmente, sua Excelência recebeu uma sonoríssima vaia, ao ter sua presença anunciada no Maracanã na festa de abertura dos Jogos Pan Americanos. Mas não vamos, também, atribuir a isto uma importância tão grande. Primeiro, o presidente chegou atrasado (como sempre) e atrasou o início do espetáculo em mais de meia hora. O público, que já aguardava desde as três horas da tarde, não gostou e vaiou. Segundo, o povo carioca não tem temor reverencial por nenhuma autoridade. Quando aconteceu a visita do presidente Bill Clinton à favela da Mangueira, o lendário sambista Jamelão declarou que o governante mais poderoso da Terra estava "feliz que nem pinto no lixo". Terceiro, não é fácil encarar o Maracanã lotado. É de meter medo. É coisa para Frank Sinatra, Paul MacCartney, Rolling Stones e uns poucos. Autoridade, então, é sistematicamente vaiada. Nem Getúlio, no segundo governo, ousou encarar o Maracanã. Aliás, o cronista Stanislaw Ponte Preta, carioquíssimo, dizia que público do Maracanã vaia até minuto de silêncio. Portanto, não vamos dar muita importância. A festa está linda. Vamos curtir.
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Rolando Lero!No meio daquela confusíssima sessão do Senado, ontem, engraçada mesmo foi a imitação feita ao microfone, pelo senador Tasso Jereissati, da oratória e do gestual do senador Almeida Lima. Foi de matar de rir. Conheço o senador Jereissati há mais de 40 anos, e nunca pensei que ele pudesse ser tão engraçado. O plenário veio abaixo. A fala empolada e os gestos largos e teatrais do senador sergipano já lhe valeram o apelido de Rolando Lero, dado por seus pares. O gosto do senador sergipano por holofotes, a vontade de aparecer a qualquer custo já lhe valeram também o apelido de Darlene, igualmente dados por seus pares. Será que a cena já está no YouTube? Merece.
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Esperteza, quanto é muita, cresce e come o donoDo senador Renan Calheiros pode-se dizer tudo, menos que seja um principiante. Por isso, fica meio difícil decodificar suas últimas atitudes. Enquanto seu ex-aliado, Fernando Collor, por exemplo, foi de uma frieza de cobra durante todo o processo de impeachment, Renan tem mostrado evidentes sinais de desequilíbrio nos últimos dias. As ostensivas demonstrações de arrogância (como a de hoje, debochando do senador Agripino Maia), os arreganhos de bazófia coronelista, o delírio de se comparar a Tiradentes (a forca), a Joana D’Arc (a fogueira), a São Sebastião (as flechas) e mesmo ao presidente Lula (o devaneio do tal terceiro turno), tudo isto indica que o político frio, sangue de cobra, negociador racional, não passava de fachada. Uma farsa. Renan Calheiros é como cenário de Hollywood: não resiste a uma ventania. As chantagens sobre os demais senadores, as tentativas de emparedamento do presidente Lula e do governo – alegando que, sem ele, a tal da governabilidade vai para as cucuias – tudo isto é patético. O político que tinha como meta tornar-se o candidato a vice-presidente nas eleições de 2010 vê seus sonhos se transformarem em farinha. E, o que é mais interessante e digno de nota, até agora Renan Calheiros está procurando saber de onde veio o paralalepípedo que lhe caiu sobre a cabeça. Ou seja, por que, tendo ele feito tudo o que fez durante tanto tempo, e ainda, tendo outros políticos feito a mesma coisa, poderá ser ele, Renan, condenado a pagar por tudo e por todos? O falecido ministro San Thiago Dantas costumava dizer que nada está mais próximo do máximo da ingenuidade do que o máximo da esperteza. Coitado do senador Renan Calheiros. Foi vítima da própria ambição. Acontece. Pode até sobreviver. Mas nunca mais será o mesmo. Caiu a máscara.
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Ciranda, cirandinhaEntão, ficamos combinados assim: o senador Renan Calheiros, presidente do Senado, marcou para dia 17, terça-feira, véspera do início oficial do recesso, a reunião da Mesa Diretora do Senado, que vai analisar os pedidos do Conselho de Ética sobre o processo em que é investigado, quem mesmo? O presidente do Senado e presidente da Mesa Diretora, Renan Calheiros. Não é interessante? Quando falávamos em “legislar em causa própria”, não sabíamos direito do que estávamos falando. Agora sabemos. E quais são os pedidos do Conselho de Ética? Primeiro, que a Polícia Federal aprofunde a perícia nas notas fiscais e documentos apresentados pelo senador Renan Calheiros a respeito de suas fontes de renda e sua fabulosa atividade pecuária. Segundo, que o senador Renan Calheiros forneça mais documentos sobre seus negócios na área da pecuária. É atribuição da Mesa do Senado aprovar e despachar os pedidos que vêm do Conselho de Ética. Como o senador Renan Calheiros não se afastou da presidência do Senado, a coisa fica assim: Renan Calheiros convoca uma reunião da Mesa para analisar um pedido para que a PF prossiga as investigações sobre as notas fiscais do senador Renan Calheiros. O senador Renan Calheiros envia ofício ao senador Renan Calheiros para que o réu no processo, senador Renan Calheiros, envie mais documentos a respeito das atividades pecuárias, de quem mesmo? Do senador Renan Calheiros. Parece brincadeira, mas não é. É só deboche. Puro e simples.
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Por dentro do blogPara Chifronésia Capobianco, que me brinda com sua presença diária (de manhã à noite) no blog, Jô Soares tirou uns dias de folga e deixou alguns programas gravados. As Meninas do Jô voltam ao ar na quarta-feira, 1º de agosto. Contamos com sua audiência.
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Futebol é bola na rede (3)Não tenho a menor vergonha de confessar: estou morrendo de medo dos argentinos. Estão batendo um bolão, o que não é o caso, infelizmente, da Seleção brasileira. Mas vamos lá. Não vou desistir. Até porque, se formos campeões novamente em cima da Argentina, vai ser bom demais. Explicação para Diego Almeida: quando disse que à noite sou de uma burrice amazônica, Diego, empreguei uma expressão que uso há muito tempo e que não encerra nenhum preconceito contra os povos amazônicos. Longe disso. Eu me refiro ao rio Amazonas, por isso a burrice é caudalosa, abundante, imensa, enorme. Explicações dadas, bom dia a todos(as).
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Futebol é bola na rede (2)O senador Renan Calheiros vai correr seu destino. Pode até não cair, mas despontou para o anonimato: perdeu seus poderes, sua capacidade de emparedar o Planalto, seu passe-livre na máquina burocrática, para fazer gestões (lobby, sugestões) para empresários amigos. Renan Calheiros é uma granada sem pino, um homem-bomba. E empresários odeiam homens-bomba. Com tudo isso, quase ia me esquecendo do que realmente interessa na noite de hoje: o jogo Argentina X México, para saber quem será nosso adversário no domingo, pela final da Copa América. Façam suas apostas. Convido a todos e todas para ver o jogo. Convido até mesmo os aguerridos membros da base governista que freqüentam este blog com uma assiduidade que me orgulha muito, tendo em vista que este blog ainda não tem um mês de vida. Gente, é uma loucura o que a turma tem me prestigiado. Vamos conversar durante o jogo. Vou tentar não dormir. Eu sou uma boêmia matutina. Adoro o sol. À noite, sou de uma burrice amazônica. Mas vou tentar ficar acordada. Afinal, é por uma causa crucial: a definição do adversário do Brasil na final da Copa América. Para isso, vale a pena ficar acordada, né não? Bom jogo a todos nós. (Brasil! Brasil!) Sem medo do mico. Sem medo de ser feliz.
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Será que Renan perdeu os poderes mágicos?O senador Renan Calheiros sempre foi considerado um político habilidoso. Habilidosíssimo! Da juventude no PCdoB até a cadeira de presidente do Senado, Renan sobreviveu a tudo e a todos. Sempre demonstrou excelente timing e senso de oportunidade, de pular do barco na hora certa (para ele), de sobreviver a aliados e antigos aliados. Apoiou todos os governos, desde que foi líder do governo Collor na Câmara dos Deputados. Rompeu com Collor e se passou para o outro lado. Apoiou Fernando Henrique, de quem foi até ministro da Justiça! Pois abandonou Fernando Henrique quando o barco dos tucanos começou a fazer água. Bandeou-se para Lula. Disse cobras e lagartos de José Sarney, quando este queria ser reeleito presidente do Senado – mas Renan também queria. Hoje são unha e carne. Sarney é um dos principais conselheiros de Renan. É bem verdade que tanto o senador José Sarney como a senadora Roseana Sarney estão meio sumidos ultimamente. Não têm sido vistos junto da tropa de choque do senador Renan Calheiros. Mas Renan parece que está perdendo suas habilidades. Desde o início deste processo que já se arrasta há um mês, vem cometendo erros sucessivos, primários mesmo. Coisa de amador, que ele nunca foi. Trata-se de um profissional escolado. Mas o mais recente erro foi esta história envolvendo a sessão do Congresso, a se realizar hoje à noite, para votar a LDO. Teoricamente, sessões do Congresso são presididas pelo presidente da Casa, também presidente do Senado. Teoricamente, mas não necessariamente. Não é uma sessão das mais importantes. Em 2006, por exemplo, Renan não presidiu a sessão. Passou o encargo ao primeiro vice-presidente. Quando teve início a rebelião dos deputados contra a presença de Renan na presidência da sessão, bastava ao senador minimizar o problema, alegando que não presidiria esta, porque tampouco presidira aquela. E pronto. Encerrava o assunto. Mas não. Renan Calheiros decidiu chamar os deputados para o confronto e afirmou que não deixaria de presidir a sessão do Congresso. Pois hoje teve que passar pelo mico de receber um pedido do Planalto, transmitido pelo ministro Mares Guia ao presidente do PMDB, Michel Temer (desafeto de Renan), para que não compareça ao Congresso. Dizem até que vai sair de Brasília. Preso por ter cão, preso por não ter. Se presidisse a sessão neste clima, poderia ser responsável por um tumulto daqueles no plenário. Sem contar os atos de puro constrangimento. Os deputados tinham mandado fazer cem cartões vermelhos, que iriam apresentar a Renan no início da sessão. Como, ao que tudo indica, não vai presidir, passará recibo de culpado, de fujão, de alguém que não tem mais condições de presidir o Congresso Nacional. Hoje, o nome da crise é Renan Calheiros.
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Futebol é bola na redeUm olho no peixe, outro no gato, como se diz no interior de Minas. Atenção em Renan e nos escândalos, mas outro olho na Copa América. É isso mesmo, eu adoro futebol. Sou Flamengo até morrer, mas a Seleção é outra coisa, é a pátria de chuteiras. Os mais jovens talvez não se lembrem – e não há nenhum demérito nisso. Mas em 58, eu ouvi pelo rádio, em Garça, no interior de São Paulo, a Copa da Suécia. O Brasil foi campeão do mundo no dia do meu aniversário, 29 de junho. Criança de oito anos, achei que a festa era para mim. Pelo rádio, ouvi a conquista da primeira Copa do Mundo, ao lado de meu pai, que um ano antes tinha me levado ao estádio do Noroeste, em Bauru, para assistir ao jogo Noroeste X Santos. E eu vi, com esses olhos que a terra há de comer, um neguinho magrinho, jeitoso, engraçado, jogando com alegria e arrasando o time adversário. Não, jovens de hoje, não era Romário, Ronaldo ou Robinho, mas poderia ter sido. Era ELE, em pessoa, Pelé, no despertar de seus (dele) 17 anos. (Sim, fofoqueiros de plantão, eu tinha sete anos, portanto, hoje tenho 57). Naquele dia, minha vida mudou. Eu até já tive ocasião de contar isso ao próprio Pelé. Gosto de todos os esportes, mas futebol é outra coisa. Futebol é assunto seriíssimo. Melhor que Goethe, melhor que Shakespeare. Como disse alguém, futebol não é caso de vida ou morte. É MUITO mais importante. A Seleção está em baixa? Médio. Mas não deixo de torcer. Gosto de todos os jogadores? Não, mas me desde 58 há jogadores de quem gosto mais e outros de quem não gosto tanto. Também há técnicos de quem gosto mais, outros de quem não gosto tanto. Democracia é isto. Até já pensei em me candidatar à presidência da CBF. Tive o apoio do ex-presidente do Botafogo, Giulitte Coutinho, entre outros. Mas ainda tenho que avaliar minhas chances. O que sei é que escrevo no início do jogo com o Uruguai, pela Copa América. Não sei o que vai acontecer, mas não desanimo da Seleção Canarinho. É uma aliança (ela e eu) que não vai se desfazer. Consigo conviver com derrota, mas com vitória é melhor ainda. Só não me conformo com falta de espírito de luta, de garra. (como aconteceu naquele inenarrável mico na Alemanha em 2006) Afinal, todos nós fazemos um esforço enorme para não desistir.
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Será que o senador Renan prevaricou?Segundo o Aurélio, prevaricação é crime perpetrado por funcionário público, que consiste em retardar ou deixar de praticar, indebitamente, ato de ofício, ou em praticá-lo contra disposição legal expressa, para satisfação de interesse ou sentimento pessoal. Trocando em miúdos, se um agente público toma conhecimento de um ato ilícito e não toma providências para inibi-lo, e com isso, se beneficia, estará praticando crime de prevaricação. Por isso, o criminalista Marcio Thomas Bastos aconselhou vivamente o presidente Lula a reiterar que não sabia de nada, não soube de nada, não viu nada. Assim, o presidente, como agente público, não poderia ser indiciado por prevaricação. Deu certo. Se o senador Renan Calheiros tem conhecimento de atos ilícitos praticados pelos senhores senadores e, como agente público, não tomou providências para estancar essas ilegalidades, no mínimo pode ser indiciado por prevaricação. A nós, como eleitores e contribuintes, só resta pedir ao senador Calheiros que conte tudo, não esconda nada, revele todas as malfeitorias dos senhores senadores e senhoras senadoras. Os eleitores brasileiros só têm a lucrar. Sem contar a economia. Pois não custa lembrar que são os eleitores brasileiros que pagam essa verdadeira farra do boi. Fale, senador Renan, revele tudo. Será muito educativo, tenho certeza.
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