Mistério ronda o Senado da República Nesta crise, o Senado tem sido dominado pelo baixo clero, povoado de não-entidades. Ora são suplentes, os sem-voto, como Sibá Machado (AC), Wellington Salgado (MG) e Adelmir Santana (DF), entre outros não-votados, ora são senadores provincianos enredados com a Justiça como Joaquim Roriz (DF, Leomar Quintanilha (TO) e Romero Jucá (RR), entre outros indiciados. O baixo clero age em conjunto, recebe a adesão de figuras folclóricas como Almeida Lima (SE) e segue as orientações da brava líder do PT, senadora petista Ideli Salvati (SC). Mas o que está acontecendo com o colégio dos cardeais do Senado? ACM e Cafeteira estão no estaleiro (e são aliados de Renan Calheiros), Sarney está mudo, assim como sua filha, a senadora Roseana. Onde andam Aloísio Mercadante, Tasso Jereissati, Patrícia Saboya, Francisco Dornelles, César Borges, Efraim Morais, Cristóvam Buarque, Gerson Camatta, Eliseu Resende, Delcídio Amaral, Marco Maciel, Sérgio Guerra, Heráclito Fortes? Enfim, o que está acontecendo com as principais lideranças do Senado? Acoelhados diante da tropa de choque renanzista. Assistindo de braços cruzados à desmoralização galopante do Senado da República. Só se ouve aqui e ali uma ou outra voz, como as de Jarbas, Agripino, Pedro Simon, Demóstenes, Jefferson Perez, Renato Casagrande, Suplicy. O fato é que o colégio de cardeais tem número e legitimidade suficientes para formar uma comissão e comunicar ao senador Renan Calheiros que ele não tem mais condições de presidir o Senado da República. Que segredos o senador Renan Calheiros guarda contra esses senadores, que os mantém manietados, diante do descalabro que está acontecendo? O Senado da República, uma das instituições mais importantes do país, está-se esfarinhando diante dos nossos olhos. Esses senadores que aí estão poderão continuar sendo reeleitos, confiando em seus currais eleitorais, mas a História não os perdoará.
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Deputados, senadores e suplentesEste escândalo dos suplentes de senador mostra como a Câmara dos Deputados é, algumas vezes, tratada injustamente em relação ao Senado. Sempre se falou muito mal da Câmara, que é uma bagunça, com um plenário parecendo pátio de colégio, em permanente insubordinação. Mensaleiros absolvidos, anões do Orçamento, sanguessugas. Lá dentro acontece de um tudo. O Senado, não. Casa de ex-presidentes da República, ex-ministros e ex-governadores, senhores e senhoras ponderados, sérios. Pois nada disso é verdade. Na Câmara existe um Conselho de Ética, com um regimento interno que orienta os trabalhos. As experiências (algumas dolorosas) dos processos contra mensaleiros e sanguessugas já levaram o presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar, a propor mudanças no regimento, para não tornar o Conselho de Ética tão refém do plenário da Câmara. Já o Senado é uma bagunça. Não havia Conselho de Ética, que foi composto às pressas, cheinho de suplentes, para absolver a toque de caixa o senador Renan Calheiros, seus bois voadores e seu lobista. O Conselho de Ética do Senado não tem sequer regimento. Funciona ao arbítrio de seu presidente, que no momento é o senador Leomar Quintanilha (PMDB-GO). Este está mais para réu do que para presidente de um conselho de ética. É acusado de corrupção, desvio de verbas e formação de quadrilha. Legal, né não? Falando em suplentes, na Câmara, por menos votos que um deputado tenha, ele sempre foi votado por alguém. Mesmo aquele senhor eleito com duzentos e poucos votos, e empossado junto com a tsunami de mais de 1,5 milhão de votos que Enéas Carneiro obteve em 2002, foi votado. Quando um suplente assume, este suplente também recebeu votos. Já no Senado, os suplentes não recebem um único votinho, nem o da mulher. Aliás, desconfio que muitas delas... Deixa prá lá. Em geral, suplentes são filhos de senadores (ACM e ACM Filho), pais (Jader Barbalho) ou financiadores da campanha dos titulares (Pedro Piva-José Serra e Wellington Salgado-Hélio Costa), só para ficarmos em poucos exemplos. Voto mesmo, que é bom, nenhum. Até 64 os suplentes de senador eram votados, assim como candidatos a vice-prefeito, vice-governador e vice-presidente da República. A ditadura considerou que isto era fonte de crises e atrelou os vices aos titulares. No caso do senador, extinguiu-se a figura do suplente e considerou-se que o suplente era o segundo mais votado do mesmo partido (havia a sublegenda, sobre a qual poderemos conversar depois). O fundamental é que, no caso de renúncia do titular, assumia um suplente que tinha sido muito bem votado. O exemplo sempre citado é o da eleição de 1978. Franco Montoro e Fernando Henrique eram candidatos pelo MDB. Montoro foi eleito, mas renunciou em 1982 depois de ter sido eleito governador de São Paulo. Fernando Henrique, o segundo mais votado, assumiu a cadeira e terminou o mandato. Simples assim. Depois deste festival de suplentes, o problema volta à tona. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), uma das vozes mais lúcidas da política brasileira, apresentou um projeto acabando com os suplentes. Minha aposta? Muito difícil de passar, enquanto os suplentes continuarem sendo os principais financiadores dos titulares. A não ser que se proibissem doações de candidatos a suplentes (e seus parentes, é claro). Mesmo assim, há sempre um “laranja” amigo disposto a fazer a sale besogne, como dizem os franceses.
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O maior de todos os tangosEnvio a vocês a letra do maior de todos os tangos, imortalizado, é claro, de Gardel, que continua a cantar cada vez melhor (esta é uma velha piada dos amantes de tango, já que Gardel morreu em 1935, dizem) Mano a manoRechiflao en mi tristeza, te evoco y veo que has sido de mi pobre vida paria sólo una buena mujer tu presencia de bacana puso calor en mi nido fuiste buena, consecuente, y yo sé que me has querido como no quisiste a nadie, como no podrás querer. Se dio el juego de remanye cuando vos, pobre percanta, gambeteabas la pobreza en la casa de pensión: hoy sos toda una bacana, la vida te ríe y canta, los morlacos del otario los tirás a la marchanta como juega el gato maula con el misero ratón. Hoy tenés el mate lleno de infelices ilusiones te engrupieron los otarios, las amigas, el gavión la milonga entre magnates con sus locas tentaciones donde triunfan y claudican milongueras pretensiones se te ha entrado muy adentro en el pobre corazón. Nada debo agradecerte, mano a mano hemos quedado, no me importa lo que has hecho, lo que hacés ni lo que harás; los favores recibidos creo habértelos pagado y si alguna deuda chica sin querer se había olvidado en la cuenta del otario que tenés se la cargás. Mientras tanto, que tus triunfos, pobres triunfos pasajeros, sean una larga fila de riquezas y placer; que el bacán que te acamala tenga pesos duraderos que te abrás en las paradas con cafishios milongueros y que digan los muchachos: “Es una buena mujer”. Y mañana cuando seas deslocado mueble viejo y no tengas esperanzas en el pobre corazón si precisás una ayuda, si te hace falta un consejo acordate de este amigo que ha de jugarse el pellejo p’ayudarte en lo que pueda cuando llegue la ocasión
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Uma noite em Buenos AiresPara vocês, um dos mais belos tangos, de autoria de um dos maiores compositores do gênero, Enrique Discepolo Cambalache (1935)Que el mundo fue y sera una porqueria, ya lo se... En el quinientos seis y en el dos mil también! Que siempre ha habido chorros, maquiavelos y estafaos, contentos y amargaos, valores y dublés... Pero que el siglo veinte es un despliegue de maldad insolente ya no hay quien lo niegue. Vivimos revolcaos en un merengue y en un mismo lodo todos manoseaos... Hoy resulta que es lo mismo ser derecho que traidor..! Ignorante, sabio, chorro, generoso o estafador! Todo es igual! Nada es mejor! Lo mismo un burro que un gran profesor! No hay aplazaos ni escalafon, los inmorales nos han igualao. Si uno vive en la impostura y otro roba en su ambicion, da lo mismo que sea cura, colchonero, rey de bastos, caradura o polizon... Que falta de respeto, que atropello a la razon! Cualquiera es un señor! Cualquiera es un ladron! Mezclao con Stravinsky va Don Bosco y "La Mignon," Don Chicho y Napoleon, Carnera y San Martin... Igual que en la vidriera irrespetuosa de los cambalaches se ha mezclao la vida y herida por un sable sin remache ves llorar la Biblia contra un calefon. Siglo veinte, cambalache problematico y febril! El que no llora, no mama, y el que no afana es un gil. Dale nomas! Dale que va! Que alla en el horno nos vamo a encontrar! No pienses mas, sentate a un lao. Que a nadie importa si naciste honrao. Que es lo mismo el que labura noche y dia, como un buey que el que vive de los otros, que el que mata o el que cura o esta fuera de la ley.
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Recebido do ouvinte Sergio Caetano, de Porto Alegre(e devidamente autorizado por ele) O apoio declarado do Presidente da República para Renan Calheiros soa para mim como o fim iminente da democracia no Brasil. Há muito tempo o Legislativo não é mais representante da sociedade. O Executivo, também, sempre manteve um distanciamento da sociedade. A situação vem agravando-se aceleradamente nos últimos meses. O Executivo sempre agiu de forma a atender a interesses fisiológicos e agora quase que chega a seu ápice, com a criação de 600 novos cargos de confiança para "azeitar" a máquina. Digo quase, porque, para mim, o clímax é o declarado apoio do presidente da República a Renan Calheiros. Gostaria de saber o que está por trás deste acordo que leva o presidente da República a declarar apoio a um político com SÉRIOS INDÍCIOS de estar envolvido em ações corruptas. O que a Presidência da República, ou pessoalmente o Lula, vai ganhar com este acordo. (Aproveito para fazer uma pergunta: por que a mídia fala no Lula e não no Presidente da República... isso dá uma sensação de intimidade e personalismo que não deveria existir no cargo ocupado pelo Lula enquanto presidente? isso é sério, pois enquanto pessoa, ele pode ser julgado pelas suas intenções e sentimentos, e enquanto Presidente da República ele tem de ser julgado pelos seus atos e suas conpseqüências.) Concluindo o meu comentário: uma vez que o Executivo e o Legislativo não representam a sociedade, a democracia não existe. O que está existindo é uma fachada de Democracia. Temos instituições que só funcionam por obra de seus integrantes para tirarem proveito próprio. Olhando para a história, veremos que aos poucos estas "instituições" acabam se desorganizando e deteriorando até a capitulação. A sociedade não tem força para mudar esta situação, pois esta é independente da sociedade. Minha proposta é a seguinte: vamos iniciar uma bolsa de apostas para ver quanto tempo dura esta situação até a capitulação final desta fachada chamada de democracia.
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Buenos Aires tem novo prefeitoBuenos Aires é uma cidade extraordinária. Muito já se disse sobre esta cidade mais européia do que americana, diferente de todas as cidades da América, aí compreendida também a América do Norte. Possui a limpeza e a ordem urbana das cidades européias. Um povo educado, gentil, que respeita os sinais de trânsito e não joga papel nas ruas. Mas Buenos Aires possui também a amplidão americana. Não se aperta em ruas estreitas sem calçada, como as antigas cidades européias ou, curiosamente, cidades brasileiras, construídas como se o Brasil fosse do tamanho de Portugal. Buenos Aires tem avenidas largas, com calçadas onde se pode andar quilômetros, cortando a cidade. Ah, sem flanelinhas, mendigos ou batedores de carteira. Que não se diga que não existe pobreza. As favelas construídas ao longo da estrada que liga o aeroporto em Ezeiza à cidade de Buenos Aires é uma visão triste, igualzinha à das periferias das megacidades brasileiras. Mas Buenos Aires está mais feliz do que quando cá estive, um ano atrás. O prefeito recém-eleito, Maurício Macri, trouxe a classe média argentina de volta à política. Na Argentina, o voto é voluntário. Há muitos anos as elites e a classe média abandonaram a política, deixando os argentinos nas mãos de todo tipo de demagogo, populista, peronista. Resultado: quando a crise caiu pesada sobre os argentinos, não havia a quem recorrer. Depois de quatro tentativas com presidentes desastrosos, finalmente Kirschner colocou a casa em ordem. A Argentina cresce entre 6 e 8% ao ano, o desemprego está na casa dos 10%, mas a inflação ainda é alta. Os habitantes de Buenos Aires reconhecem todo o esforço de Kirschner, mas reprovam seu populismo personalista. Agora existe a possibilidade de a mulher de Kirschner, a senadora Cristina Kirschner, se candidatar à presidência em outubro. Se ele se candidatar, cumprirá mais quatro anos e pronto. Mas se ela se candidatar, poderá cumprir oito anos e ser sucedida pelo marido. Ou seja, serão 16 anos de Kirschners na Casa Rosada. Assim, me disse um motorista de táxi, melhor encomendar a coroa de imperador. Por isso, a eleição de Macri para prefeito de Buenos Aires foi um recado. Primeiro, o governo jamais ganhou uma eleição em Buenos Aires – os prefeitos são sempre da oposição. Segundo, Macri é um homem de negócios,além de presidente do Boca Juniors desde 1995. Os portenhos esperam que ele imprima na administração de Buenos Aires um ritmo empresarial, para levantar a cidade. Pode ser que dê certo. No Brasil, o governo Collor declarava que governaria o país como uma empresa – e terminou em PC Farias, grossa corrupção e impeachment. Na Peru, Fujimori declarava que governaria o país como uma empresa – e terminou em grossa corrupção e fuga de Fujimori para o Japão, para escapar da cadeira . Na Itália, Berlusconi era empresário de sucesso e declarava que governaria o país como uma empresa – e terminou em grossa corrupção e queda do primeiro-ministro. Vamos torcer para que em Buenos Aires seja diferente. O povo argentino merece ser feliz.
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Um dia daquelesHoje foi, realmente, um dia daqueles. Saí cedo de casa para fazer os Debates Populares, na Rádio Globo AM do Rio, mesa de que participo há alguns anos e que me dá muitas alegrias. Meus companheiros de hoje foram, além do âncora Loureiro Neto, o desembargador Luis Felipe Salomão e o editor-executivo do jornal Extra, Otávio Guedes. E tome Renan! E tome boi, e tome Roriz! Os e-mails e telefonemas de ouvintes, todos indignados, demonstravam a incredulidade da população: como é fácil dispor do dinheiro público! Sem demagogia, o trabalhador e a dona-de-casa que suam para as despesas diárias caberem no orçamento não compreendem como se lança mão de recursos públicos e de desculpas esfarrapadas, na mesma proporção. Depois do programa, aeroporto Santos Dumont. E aí, o bicho pega. A crise acabou, vocês sabem. Tudo é produto da minha imaginação. Meu vôo para São Paulo foi cancelado, outros atrasaram, mas um vôo seguinte me acomodou. A mim e a minha companheira de viagem, também "menina do Jô", Ana Maria Tahan. Sim, porque as Meninas do Jô voltaram. Com um escândalo desses na praça, Jô Soares decidiu recompor a mesa, que hoje teve, além das três fixas, Ana Maria, Cristiana Lobo e eu, minha amiga e excelente jornalista Lillian Witte Fibe. Saí do Rio com as articulações adiantadas para fazer de Artur Virgílio (PSDB-AM) e Aloísio Mercadante (PT-SP), respectivamente, presidente e relator do Conselho de Ética do Senado. A mim pareceu que, depois daquele bilhete meio comprometedor passado por Renan Calheiros a Artur Virgílio e publicado na primeira página da Folha de São Paulo de hoje, a isenção de Artur Virgílio estava seriamente comprometida. Mas eu também estava preocupada com a votação da reforma´política na Câmara. Apostava que o voto em lista não seria aprovado, mas não tinha evidências empíricas que sustentassem minha aposta. Apenas uma forte intuição. No meu ofício, é bom ter faro, mas não é bom confiar apenas na intuição. Fizemos o programa, que aliás ficou ótimo (que puderem, assistam hoje ainda). Ao final, saímos correndo, Ana Maria e eu, para não perder a última ponte aérea. Cheguei em casa com o senador Leomar Quintanilha como presidente do Conselho de Ética e talvez o senador Renato Casagrande como relator. Uma mudança e tanto. Mas o melhor ainda estava por vir: o famigerado voto em lista caiu na Câmara. Agora, os deputados e senadores podem tentar encontrar uma saída que atenda aos interesses do eleitor, e não apenas às conveniências da classe política. Quem sabe não possa progredir a aprovação do distritão, projeto do senador Francisco Dornelles? Depois conversaremos mais sobre esse projeto. Escrevo meio cansada e meio apressada, porque amanhã vou-me para Buenos Aires, investigar um pouco os reflexos da volta da classe média argentina à política e a conseqüente derrota do governo Kirschner nas eleições para a prefeitura de Buenos Aires. Darei notícias de lá.
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Eleitor não quer financiamento público nem voto em lista A Pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje é mais uma prova da distância entre a classe política e a sociedade brasileira. Entre os entrevistados, 51,5% não acompanham nem ouviram falar da reforma política. Isto mesmo, mais da metade dos entrevistados não está acompanhando o assunto. Enquanto isso, 27% ouviram falar e apenas 19,8% acompanham. Tem mais. Quanto à fidelidade partidária, dos que acompanham o assunto ou ouviram falar, 50,5% são a favor; 40,5% são contra, e 8,8% não souberam responder. Sobre o voto em lista de candidatos apresentados pelos partidos, 74% são contra, 16,5% são a favor, e 9,5% não souberam responder. A pá de cal vem agora: dos que acompanham o noticiário ou ouviram falar, 75,2% são contra o financiamento público de campanha; 18,7% são a favor, e 6,1% não souberam responder. E agora? Como os políticos prosseguirão com esta reforma, que não é reforma coisa nenhuma, é apenas mais um monstro, um Frankenstein criado para fazer a mímica da satisfação à opinião pública? As excelências estão com a palavra.
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É golpe contra o eleitorAcho que todo mundo ainda se lembra dos plebiscitos de 1993. Os eleitores brasileiros foram às urnas para escolher a forma de governo (monarquia ou república) e o sistema de governo (parlamentarismo ou presidencialismo) que passaria a vigorar no Brasil. E não houve a menor dúvida: os brasileiros escolheram ser uma república presidencialista. O que não significa que alguns elementos do parlamentarismo não sejam interessantes e dignos de adoção pelo Brasil. Por que estou lembrando tudo isto? Porque a classe política decidiu fazer uma reforma política que pode modificar profundamente a forma como os eleitores escolhem seus representantes. E acha que pode fazer isto tudo sem consultar o eleitor. O nome disto é golpe parlamentar. O que anda dizendo o eleitor brasileiro? Que quer maior proximidade entre ele e os eleitos. Que quer controlar mais o exercício do mandato de seu representante. Que não quer deputados trabalhando dois dias e meio por semana. Que não quer deputados e senadores ganhando salários astronômicos e não pagando imposto de renda sobre todos os ganhos. Que não quer relações espúrias entre políticos e lobistas, ou entre políticos e bicheiros. E o que querem os políticos? Querem mudar alguma coisa para que nada mude. Querem voto em lista fechada para perpetuar o poder dos caciques e dos aparelhos partidários. Querem financiar suas campanhas com o nosso dinheiro. Querem continuar trabalhando só dois dias e meio por semana. Querem continuar ganhando altos salários sem pagar imposto. E, sobretudo, não querem prestar contas de seus atos à sociedade. Alguma coisa está muito errada. Volto a dizer. Fazer reforma política – qualquer reforma política – sem consultar os eleitores é golpe parlamentar.
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Hoje é dia de estréiaDepois de anos colaborando regularmente no Blog do jornalista Ricardo Noblat, estréio hoje o meu próprio blog no site da Rádio CBN, ao lado de meus e minhas colegas, muito mais experientes que eu neste ofício de blogueiro(a). Não tenho a pretensão de competir com Noblat, que assina atualmente o mais importante blog de política do país. Aliás, mais do que um simples blog, Noblat mantém uma redação completa na Internet, com editorias variadas e inúmeros colaboradores. Meu blog pretende ser muito mais simples. Um bate-papo com ouvintes e internautas, ampliando para a blogosfera aquilo que já faço desde que comecei a comentar política na Rádio CBN, em 2002: uma conversa diária com os ouvintes, que me premiam com e-mails, sugestões, críticas, enviam denúncias, cobram soluções para os mais variados problemas políticos do país. Espero fazer deste blog um espaço democrático, onde possamos discutir política, desde o escândalo do dia – são tantos, não é mesmo? – até questões mais substantivas sobre o funcionamento do sistema político brasileiro, modelos de organização política, ampliação ou não da democracia direta, combate à corrupção, maior aproximação entre eleitores e eleitos, temas assim. Mas também haverá espaço para algum humor, histórias engraçadas, livros recém-lançados que mereçam ser discutidos. Em suma, esta casa é também de vocês. Sejam bem-vindos. Entrem e participem.
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