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  Lucia Hippolito
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Novidades no Meio Ambiente

A bancada da motosserra ficou assanhadíssima com a demissão de Marina Silva.

E continuou assanhada, ao ser informada de que o novo ministro, Carlos Minc, foi convidado pelo presidente Lula porque é rápido na obtenção de licenças ambientais.

Só mesmo quem não conhece Carlos Minc.

Nós, cariocas, que convivemos com ele há quase 30 anos, desde que voltou do exílio, sabemos que a realidade não é exatamente assim.

Minc gosta da mídia, gosta de holofotes. E não esconde isso. Mas também é sério, ambientalista respeitado. Sem papas na língua.

Em sua primeira entrevista, antes mesmo de ser confirmado no Ministério do Meio Ambiente, antes até de uma conversa frente a frente com o presidente Lula, Minc mandou vários recados. Ao presidente, aos ambientalistas e à bancada da motosserra, defensora do desenvolvimento a qualquer custo.

Para aqueles que estavam esperando um anti-Marina Silva, a entrevista foi uma decepção. Minc atacou firmemente o excesso de burocracia do Ibama (“a burocracia é a mãe da corrupção”, disse ele. E está certíssimo.), mas declarou que não vai servir de “biombo verde” para devastadores de florestas. (Está certíssimo também.)

E disse mais: considera um absurdo o lançamento de uma política industrial sem que fossem contemplados temas ligados ao meio-ambiente.

(Desde que foi lançada a política industrial, semana passada, venho dizendo onde posso que se trata de um comportamento obsoleto, digno do século passado. Não é à toa que o presidente elogiou o Programa de Metas de JK, excelente, mas para um Brasil de 50 anos atrás! Tenho para mim que a gota d’água para a saída da ministra Marina Silva foi, justamente, o lançamento da política industrial sem incluir questões ambientais. Coisa de século passado.)

Para aqueles que conhecem Carlos Minc, a entrevista foi apenas a confirmação do que se sabe dele e de sua trajetória. Minc fixou publicamente os limites para assumir o cargo, apresentou várias condições e devolveu a bola para o pé do presidente Lula.

Finalmente, a entrevista de Carlos Minc deve ter sido uma grata surpresa para os que não o conheciam, mas entendem que as questões ambientais são estratégicas para o desenvolvimento brasileiro e não apenas capricho que gente que conversa com samambaia.


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Novidades no Planalto

A saída de Marina Silva e a nomeação de Carlos Minc revelam uma mudança de padrão no Planalto.

Marina Silva estava isolada há algum tempo. Desrespeitada em público pelo presidente, ultrapassada por outros ministros (e ministras), derrotada em praticamente todas as batalhas em que se envolveu, Marina decidiu sair.

Por que foi diferente das outras demissões? Porque Marina não estava envolvida em nenhum escândalo de corrupção nem de formação de quadrilha, não decidiu voltar à iniciativa privada, não decidiu disputar eleições. Apenas não queria mais permanecer como uma jóia cara, brilhante e inútil na coleção do presidente Lula.

Diferente, porque Marina não saiu alegando motivos particulares. Ao contrário, enumerou em sua carta de demissão todas as razões de seu desconforto no governo.

Diferente porque Marina decidiu não atender a apelos para que permanecesse no cargo até que o presidente escolhesse um sucessor. Sabe que o presidente Lula é ruim de demitir e ruim de nomear. Interinos têm-se eternizado em várias pastas. Marina decidiu sair sem consultar o presidente.

Mas Lula também foi diferente desta vez. Acostumado à bajulação, a auxiliares que preferem ser desrespeitados em público a se afastar do círculo de um presidente no auge da popularidade, Lula foi realmente apanhado de surpresa. E reagiu com o fígado.

Não esperou, não ouviu ninguém, não hesitou. Carlos Minc é rápido no gatilho para obter licenças ambientais? Pois será ele o novo ministro. O fundamental era não deixar o cargo vago, porque a repercussão internacional à saída de Marina Silva foi a pior possível.

E o presidente Lula, por seu temperamento e por sua obsessão com o sonho do Brasil Grande Potência, é um presidente particularmente sensível ao que dizem do Brasil e de seu governo lá fora.

Assim, contrariando sua tendência à indecisão para nomear e a promover interinos, só para não ter que decidir, Lula escolheu o secretário de Meio-Ambiente do Rio, Carlos Minc.

Voltou atrás, convidou Jorge Vianna, que recusou – outra novidade, alguém recusando um convite de Lula para ser ministro –, e decidiu-se finalmente por Carlos Minc.

Indiscutivelmente, tanto da parte da ministra que sai, quanto da parte do presidente que decide rapidamente, foi uma novidade.


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Uma medalhinha a menos

Puxando pela memória, acho que os dois únicos ministros que estão (estavam) no governo Lula desde o primeiro dia do primeiro mandato são (eram) Marina Silva e Gilberto Gil.

O ministério do presidente Lula não é apenas caudaloso, mas também de alta rotatividade. Até agora, os motivos principais para demissão foram: grosso escândalo ou desincompatibilização para disputar eleições.

Mas Gilberto Gil e Marina Silva são dois exemplos diferentes: prestígio internacional, conduta irrepreensível, zero escândalo, nenhuma notícia de envolvimento em grossa roubalheira.

Até hoje o presidente Lula usou Marina Silva e Gilberto Gil como dois broches, duas medalhas preciosas e vistosas, para impressionar a opinião pública internacional.

Só isso. Porque eram também os ministros de menor orçamento e menor poder. Muito prestígio. E só.

Com a demissão de Marina Silva, cai a primeira medalhinha.

Num país em que só se pede demissão debaixo do risco de ir para a cadeia (com as honrosas exceções de praxe), o ato de Marina Silva é raro. Não devia ser, mas é.

Infelizmente, dignidade é um ativo escasso na política brasileira.

atualização às 05:40h de 14.05: Celso Amorim (Relações Exteriores) também está no governo deste o primeiro dia do primeiro mandato.



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O PT e seu umbigo

O governador Aécio Neves e o prefeito Fernando Pimentel não desistem. Tentam de tudo para salvar a aliança entre PT e PSDB para disputar a prefeitura de Belo Horizonte.

Aliança que envolve outro partido – e outra personalidade importante: o PSB do deputado Ciro Gomes, que indicaria o candidato. É Márcio Lacerda, secretário de Aécio e aliado de Ciro.

Mas a aliança esbarrou na Executiva Nacional do PT. Controlada pelo diretório paulista com mão de ferro, a Executiva proibiu a aliança, batendo pesadamente no governador Aécio Neves.

Por isso, muita gente pensou que o PT estava mirando em 2010, tentando conter a movimentação de Aécio.

Para completar, a disputa pela prefeitura de São Paulo ganhou novos contornos, com a aliança entre PMDB e DEM para apoiar a reeleição do atual prefeito. Aliança costurada discreta e vitoriosamente pelo governador José Serra, que isolou o ex-governador Geraldo Alckmin, aliado de Aécio.

Assim, as ações de Serra e do PT paulista teriam convergido na mesma direção: “cortar as asinhas” do governador mineiro.

Mas, como vimos no início, Aécio e Fernando Pimentel não desistiram. Enquanto o prefeito iniciou contatos com lideranças petistas em outros estados, Aécio deve encontrar-se com o presidente Lula. Tudo para neutralizar o veto paulista. E com boas chances de sucesso.

Na verdade, o que parece fazer mais sentido é que o PT paulista está mirando, sim, em 2010, mas não na eleição presidencial.

Como todo mundo sabe, o PT preocupa-se antes com o próprio umbigo e, muito depois, com o umbigo alheio. Muito mais do que estragar as articulações do governador Aécio Neves, o que o PT paulista quer impedir é o crescimento de uma liderança petista fora de São Paulo, ou fora da órbita de influência dos paulistas.

Como todo mundo também sabe, o PT paulista foi mortalmente ferido com o mensalão. E depois com o episódio do dossiê contra José Serra. Perdeu alguns possíveis candidatos à sucessão do presidente Lula.

José Dirceu foi cassado e hoje enfrenta a acusação de ser chefe de quadrilha. Antonio Palocci caiu e está sendo acusado de vários crimes, principalmente um crime inadmissível num Estado democrático: como agente público, usou a mão pesada do Estado para intimidar um cidadão indefeso, violando seu sigilo bancário.

Em suma, não há grandes estrelas no PT paulista. Mesmo o presidente do partido, Ricardo Berzoini, que ficou conhecido como o “exterminador de velhinhos”, quando era ministro da Previdência, foi envolvido no episódio dos “aloprados” e o dossiê contra Serra.

Escândalo que também chamuscou o senador Aloísio Mercadante, cujo principal assessor era também o principal envolvido no caso do dossiê.

Resta, assim, ao PT paulista controlar o aparelho partidário e impedir o florescimento de lideranças independentes e de fora do estado, como parece ser o prefeito de Belo Horizonte.

(Dilma Roussef e Patrus Ananias não valem, porque estão sob o controle e a “proteção” do PT paulista.)

Em Belo Horizonte, até os postes da avenida Afonso Pena já sabem que Fernando Pimentel será o candidato à sucessão de Aécio Neves. E hoje em dia, ninguém se elege nem síndico de edifício sem o apoio do governador.

(É assustadora a muralha de apoio que se ergueu em torno de Aécio Neves em todo o estado de Minas Gerais.)

Tudo considerado, o veto à aliança em Belo Horizonte tem muito mais a ver com a eterna luta interna do PT do que com a sucessão presidencial de 2010.

Como já marcou sua posição, a direção paulista do PT pode recuar, depois de um "puxão de orelhas" do presidente Lula.



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Por dentro do blog

Peço desculpas a todos, mas estou com problemas técnicos na área de trabalho do blog.

Volto assim que o problema for sanado.

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Porque hoje é sábado

Larguem o computador. Vão ao cinema, vão passear, namorar, brincar com filhos e netos.

Quem ainda tem mãe, aproveite.

E tenham todos e todas um excelente Dia das Mães!

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O sonho de Lula

Edição de hoje do jornal Valor Econômico noticia que a chapa dos sonhos do presidente Lula é Dilma-Ciro ou Ciro-Dilma.

Se isto é verdade, o presidente precisa partilhar seus sonhos com o PT.

No final de abril, a Executiva Nacional do PT vetou a aliança PT-PSDB para as eleições municipais de Belo Horizonte. O candidato seria Márcio Lacerda, correligionário e ex-auxiliar do deputado Ciro Gomes.

Ou seja, o PT deu uma fortíssima canelada nos projetos de Ciro Gomes.

O deputado teria ficado profundamente insatisfeito com a atitude do PT, declarando que mais uma vez a hegemonia paulista no partido levava os petistas a decisões equivocadas.

Disse, na ocasião, Ciro Gomes: "É uma decisão inexplicável, inaceitável e incompreensível."

Como se sabe, o PT é duro na hora de fazer alianças, de partilhar o poder, de abrir espaços para os aliados.

O partido até pode contemplar a hipótese de uma chapa Dilma-Ciro. Mas aceitar ser vice numa chapa encabeçada por Ciro Gomes é muito, muito mais difícil.

Para o PT paulista, atingido em cheio pelo escândalo do mensalão, é vital manter a sucessão do presidente Lula sob controle. Se não há um petista paulista que possa disputar como cabeça de chapa, o PT até poderá concordar em adotar como sua a candidatura de Dilma Roussef.

Mas jamais aceitará ceder o posto para Ciro Gomes, cujos projetos de poder, pessoais e familiares, colidem em muitos aspectos com o projeto petista.

Mas seria interessante ver esta chapa em ação. Como os dois candidatos têm pavio curto, pouco jogo de cintura político e não costumam levar desaforo para casa, a campanha eleitoral ficaria animadíssima.


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Agripino desatinou

Inaceitável. Indelicada. Grosseira. E politicamente desastrosa.

A atitude do líder do DEM, senador José Agripino, na abertura dos trabalhos da Comissão de Infra-estrutura do Senado, na manhã de hoje, já pode ser inscrita nos Anais do Congresso como uma das mais grosseiras agressões desferidas contra uma autoridade que vai ao Congresso Nacional prestar contas dos atos de sua pasta.

Ao agredir a ministra Dilma Roussef, ao trazer de volta eventos, dores e peripécias de sua juventude, de sua prisão e tortura na cadeia da ditadura, o senador José Agripino manchou a própria biografia.

Homem fino, educado, adversário por vezes duro (mas isto faz parte do embate político), Agripino jamais foi descortês.

E não se diga que do outro lado estava uma mulher. Nós, mulheres, dispensamos este tipo de paternalismo.

Do outro lado estava um ministro, uma autoridade da República. Que merecia ser duramente questionada, mas respeitada.

Autoridades devem prestar contas de seus atos. É da regra da democracia a prática da accountability.

Mas não foi isso o que se viu e ouviu.

O senador José Agripino foi grosseiro, indelicado, agressivo. Desnecessariamente desrespeitoso.

Até porque, como tática política, sua intervenção foi coroada de fracasso. Colheu o contrário do que plantou. Fortaleceu a ministra, ajudou a erguer uma barreira de proteção a ela.

A resposta de Dilma Roussef, emocionada, nervosa, mas firme e corajosa, rendeu-lhe aplausos de governistas e oposicionistas.

Todos(as) aqueles(as) que me honram com sua participação neste blog sabem que a ministra Dilma não é santa do meu altar. Tenho severas observações a respeito de seu comportamento, de sua postura e, sobretudo, de sua tão propalada competência.

Mas não posso deixar passar em branco o que aconteceu hoje.

Como analista política, mulher e ex-militante da geração de 68, estou solidária com a ministra Dilma Roussef.


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Ainda a “herança maldita”?

Finalmente, depois de muitos adiamentos, a ministra Dilma Roussef depõe hoje na Comissão de Infra-estrutura do Senado.

Em princípio, vai falar sobre andamento das obras do PAC. Mas a oposição conseguiu aprovar requerimentos para ela responder também a perguntas sobre o dossiê com gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique e a ex-primeira dama Ruth Cardoso.

O assunto do dossiê esfriou consideravelmente, tendo em vista o noticiário caudaloso sobre o QI dos baianos, a crise da reserva indígena em Roraima, o envolvimento do deputado Paulo Pereira da Silva em grossa roubalheira no BNDES, a viagem da sogra do governador Cid Gomes à Europa, o envolvimento de ex-subsecretário do governador José Serra em achaques a criminosos. E por aí vai.

Mas a suspeita de que servidores destacados para elaborar o dossiê seriam responsabilizados no inquérito da Polícia Federal gerou um clima de rebelião na Casa Civil. Os tais servidores ameaçam entregar tudo, isto é, a cabeça da secretária-executiva e pessoa da maior confiança da ministra Dilma, Erenice Guerra, que seria a verdadeira chefe da operação.

Pessoalmente, eu gostaria muito de ver a ministra Dilma responder a perguntas sobre o PAC. Há muitas explicações a dar.

Nos palanques do Brasil, o PAC é o maior sucesso de público. Multidões cercam o presidente, que faz discursos por todo canto. A ministra também discursa muito.

Mas a realidade parece ser outra, quando confrontamos o discurso com o dinheiro gasto até agora nas obras do PAC.

De acordo com o Siafi, o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, que mostra as despesas do governo, R$ 17,2 bilhões foram destinados às obras do PAC para o ano de 2008.

Até abril, portanto nos primeiros quatro meses do ano, foram empenhados (contratados) apenas R$ 1,27 bilhão, ou seja, 7,35% do total. Isso mesmo: menos de 10% do total de recursos destinados ao PAC.

Mas tem mais. Desse pouco dinheiro empenhado, só R$ 12,7 milhões foram realmente gastos, o que dá 1,1% do que foi empenhado.

Que aceleração de crescimento é esta, que não contrata obras, não realiza gastos?!

Esta semana, discursando (mais uma vez!) em Santa Catarina, a ministra Dilma Roussef declarou o seguinte:

“O que trava o PAC? É a qualidade dos projetos que nós herdamos. Nós não herdamos (projetos) nem na área de energia, nem de logística, isso vale para rodovia, ferrovia, aeroportos. Tivemos que fazer projetos e com alguns que tivemos que recuperar, tivemos problemas no TCU.”

Será que ouvimos direito? Depois de seis anos no governo, a ministra Dilma ainda alega a “herança maldita” para justificar a ineficiência?!

Se herdaram maus projetos (ou nenhum projeto), tiveram seis longos anos para corrigir ou elaborar.

A ministra alega que não herdou projetos na área de energia.

E quem foi a titular da pasta de Minas e Energia entre 2003 e 2005? Dilma Roussef. (Alguns dizem mesmo que ela não desencarnou e continua ministra das Minas e Energia até agora.)

Então, se Dilma era ministra das Minas e Energia e não herdou bons projetos na área de energia, o que fez a ministra na pasta aquele tempo todo?!

Depois de seis anos no poder, convenhamos que a “herança maldita” já perdeu o prazo de validade como alegação para a incompetência e a inoperância pura e simples.



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Ele tem a força?

A nota da Força Sindical divulgada ontem é deliberadamente confusa, misturando alhos com bugalhos.

Primeiro, alega que o deputado Paulo Pereira da Silva é vítima de “implacável perseguição política”, ao ser envolvido nessas falcatruas que estão sendo descobertas no BNDES.

Por quê? O que teria feito o deputado para ser vítima de perseguição política? A central sindical alega que é por causa do estrondoso sucesso do deputado no Congresso onde, ainda segundo a nota, ele seria um dos parlamentares mais influentes.

Lamento, mas isto não corresponde à realidade.

Paulo Pereira da Silva é até um deputado bem apagado. Só não é do baixo clero porque preside a Força Sindical. Ele é muito mais um sindicalista na Câmara do que um deputado de origem sindical.

Como é o deputado Vicentinho, por exemplo. Ex-presidente da CUT, Vicentinho ao ser eleito deputado integrou-se muito bem na Câmara, comportando-se como parlamentar e não como sindicalista.

Segundo, a nota afirma que a Força Sindical vai promover manifestações e paralisações em todo o país com o objetivo de reduzir a jornada de trabalho.

Se isto não for uma ameaça à ordem pública, qual é o problema? O papel de uma central sindical tem sido, no Brasil, o de aumentar os benefícios e privilégios de seus associados.

Não se vê, partindo das centrais, nenhuma atitude ou ação visando contribuir para o aumento dos postos de trabalho, para a flexibilização das regras que cercam uma contratação, para a desoneração do emprego (custa caríssimo dar emprego no Brasil).

Egoisticamente, as centrais querem é aumentar benefícios para seus associados. Portanto, está dentro de seu papel fazer manifestações pela redução da jornada de trabalho.

Agora, o que é que isto tem a ver com o possível envolvimento do deputado Paulo Pereira da Silva na roubalheira no BNDES?

Terceiro, a nota afirma que “estamos (quem?) enfrentando a oposição acirrada de autoritários conservadores”.

Quem seriam esses autoritários conservadores? Quem propôs a derrubada do imposto sindical obrigatório foi, inicialmente, o PPS, partido de esquerda herdeiro do antigo Partido Comunista.

Quem propôs o restabelecimento da cobrança obrigatória do imposto sindical foi, no Senado, o senador Francisco Dornelles, do PP, partido de centro-direita. Partido de Paulo Maluf, que compõe a base aliada do governo Lula.

Ao que consta, quem está levantando o possível envolvimento de Paulo Pereira da Silva na roubalheira no BNDES é o Ministério Público, é a Polícia Federal.

Em suma, a nota não responde a nenhuma das acusações a Paulo Pereira da Silva feitas pela polícia e pelos procuradores do Ministério Público.

Com manifestação ou não, com paralisação ou não, o Ministério Público encaminhou o inquérito envolvendo Paulo Pereira da Silva ao Supremo Tribunal Federal porque, como deputado, ele tem direito a foro privilegiado.

Se o Supremo decidir aceitar o inquérito, não há Força que impeça o deputado Paulo Pereira da Silva de ser processado.

Com nota oficial ou não.


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  PERFIL
   
 

Lucia Hippolito é cientista política, historiadora e jornalista, especialista em eleições, partidos políticos e Estado brasileiro. É comentarista política da Rádio CBN desde 2002. Faz comentários também para o Uolnews e para a Globonews.

Colaboradora de vários jornais e revistas, debatedora dos programas Sem Censura (TVE/Rede Brasil) e Debates Populares (Rádio Globo AM-Rio), é também autora de vários livros sobre política, dentre os quais "PSD de raposas e reformistas", publicado pela Editora Paz e Terra e premiado como melhor obra de ciência política pela Anpocs (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciências Sociais); e "Política. Quem faz, quem manda, quem obedece", escrito em co-autoria com João Ubaldo Ribeiro, publicado pela Editora Nova Fronteira. Mais recentemente, escreveu "Por dentro do governo Lula. Anotações num diário de bordo", publicado pela Editora Futura.


e-mail:
lucia.hippolito@sgr.com.br


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